TARIFAS SOBRE IMPORTS
Empresas americanas pedem para Trump retirar tarifas de produtos brasileiros
Comércio de pedras naturais e outros itens pode ser afetado. Fabricantes dos EUA alegam falta de alternativas com qualidade e preço igual no mercado global.
Empresas americanas que dependem de importações brasileiras pressionam o governo de Donald Trump a reconsiderar a proposta de impor uma nova tarifa sobre produtos do Brasil. A decisão, ainda em fase de investigação pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), pode impactar significativamente o comércio de pedras naturais semipreciosas, além de outros itens, afetando a dignidade e a capacidade de operação de negócios americanos.
O USTR concluiu uma investigação que aponta práticas brasileiras que, segundo o órgão, "oneram ou restringem" o comércio com os EUA. Em resposta, o órgão propôs uma tarifa adicional de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros e abriu consulta pública para coletar manifestações. A decisão final está prevista para 15 de julho.
Empresas como a GeoCentral, atacadista de pedras, cristais e fósseis sediada em Ohio, argumentam que não existem fornecedores em outros países capazes de suprir a demanda com a mesma qualidade, escala de produção e preço oferecidos pelo Brasil. A companhia, controlada pela holding familiar CM Paula, solicitou formalmente ao USTR a isenção de pedras semipreciosas brasileiras da sobretaxa. Segundo a GeoCentral, mais de 25% de seu portfólio é importado do Brasil, incluindo materiais de estados como Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
Pelo menos outras 11 empresas e entidades setoriais, a maioria delas americanas, enviaram manifestações ao USTR. Elas alertam que a medida aumentará custos, prejudicará suas operações e reduzirá a competitividade da indústria dos EUA. "Não existem alternativas equivalentes", afirma um porta-voz de uma das empresas afetadas, ressaltando a dificuldade em replicar a infraestrutura mineradora brasileira e a qualidade dos produtos.
Em 2025, as exportações brasileiras da categoria de pérolas e pedras preciosas ou semipreciosas somaram cerca de US$ 45,6 milhões para os EUA. Incluindo joias e outros artigos relacionados, o valor ultrapassou US$ 71,8 milhões. As empresas temem que a imposição da tarifa prejudique a cadeia de suprimentos e o consumo no mercado americano.
O histórico de tarifas impostas anteriormente já afetou companhias como a GeoCentral, que precisou reduzir despesas, demitir funcionários e diminuir investimentos. Embora parte dos valores tenha sido devolvida após questionamentos judiciais sobre a legalidade de tarifas anteriores, a incerteza persiste.
O Brasil, por meio do Itamaraty, atua em duas frentes para reverter a proposta: contestação técnica da investigação do USTR e negociação diplomática com Washington. O governo brasileiro estuda apresentar novas contribuições durante o período de consultas e pode discutir o tema em encontros internacionais, como a cúpula do G7. A expectativa é que a proposta de sobretaxa ainda possa ser negociada antes da decisão final, prevista para 15 de julho.
A Amcham Brasil, que representa empresas e as relações comerciais entre Brasil e EUA, acompanha de perto a investigação e defende uma saída negociada. A entidade realizou reuniões com autoridades brasileiras e americanas e participou da consulta pública do USTR, preparando uma nova manifestação que destacará os efeitos das sobretaxas sobre as cadeias de suprimentos, produção e consumo no mercado americano. A Amcham ressalta a importância de preservar o comércio, os investimentos e a competitividade das empresas dos dois países.
A audiência pública para apresentação de manifestações dos setores afetados está marcada para 6 de julho. A decisão final sobre a implementação das novas tarifas deve ocorrer até 15 de julho.
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