SANÇÕES DOS EUA

Empresário brasileiro investigado por lavagem de dinheiro é alvo de sanções dos EUA no caso Corinthians-VaideBet

EUA sancionam brasileiros por suposta ligação com o PCC
EUA sancionam brasileiros por suposta ligação com o PCC

Victor Henrique de Oliveira Shimada, sócio da Victory Trading, é acusado de movimentar US$ 30 milhões em recursos ilícitos com auxílio de integrantes do PCC.

O empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, que teve bens bloqueados pelos Estados Unidos nesta quarta-feira, 1º de julho de 2026, está sob investigação no Brasil por suspeita de lavagem de dinheiro em operações ligadas ao caso VaideBet. As apurações brasileiras visam desvios de recursos do contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas.

Shimada é o único sócio da Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobrança e Tecnologia Ltda., empresa que também foi incluída na lista de sanções do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão do Departamento do Tesouro dos EUA. O governo americano alega que Shimada comandava, a partir de São Paulo, uma rede de lavagem de dinheiro que operava em conjunto com membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) baseados na Flórida. Segundo as autoridades americanas, o grupo teria movimentado mais de US$ 30 milhões em fundos de origem ilícita, utilizando criptomoedas para transferir recursos provenientes do tráfico internacional de drogas.

Seis outros indivíduos acusados de integrar essa rede foram presos nos Estados Unidos em janeiro de 2025, de acordo com o Tesouro americano. Em comunicado, o órgão detalhou que Shimada atuou como intermediário entre integrantes do PCC nos EUA e traficantes estrangeiros. Por essa atuação, ele foi sancionado com base em duas ordens executivas, que permitem o bloqueio de bens e proíbem transações financeiras com indivíduos e entidades associadas ao crime organizado transnacional e ao financiamento de atividades criminosas.

Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, apontada pelas autoridades americanas como colaboradora próxima e parente de Shimada, também foi sancionada. A reportagem entrou em contato com Shimada, Stella e a Victory Trading em busca de posicionamento e aguarda retorno.

A VaideBet, que fechou um contrato de patrocínio master com o Corinthians em janeiro de 2024, teve o acordo posteriormente rescindido. A investigação sobre o caso VaideBet, no Brasil, apura o suposto desvio de recursos oriundos deste contrato.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público e aceita pela Justiça, a Victory Trading registrou movimentações financeiras expressivas com a Wave Intermediações e Tecnologias Ltda. Esta última é apontada pelos investigadores como um dos veículos utilizados para movimentar valores obtidos no esquema sob apuração. A investigação identificou uma cadeia financeira que envolve empresas por onde os recursos teriam transitado após sair da conta do Corinthians, incluindo a Rede Social Media Design, Neoway, Wave e UJ Football Talent. Paralelamente, transferências da Victory Trading para a UJ Football Talent foram apontadas por investigadores.

A denúncia sustenta que Shimada agiu como operador financeiro de uma empresa usada, em parte, para ocultar e dissimular a origem dos fundos. Ele foi denunciado pelo Ministério Público pelo crime de lavagem de dinheiro. Em janeiro de 2025, Shimada chegou a ser colocado em prisão domiciliar no Brasil por seu envolvimento no esquema com o clube de futebol, através de sua empresa.

Um relatório da Polícia Civil de São Paulo detalha uma série de transações consideradas suspeitas entre a Wave e a Victory Trading. Entre os exemplos estão mais de R$ 5 milhões transferidos da Wave para a Victory nos primeiros dias de março de 2024; cerca de R$ 3,38 milhões enviados em um único dia, em 12 de março; doze transferências pela Wave para a Victory em 26 de março, somando aproximadamente R$ 5,3 milhões; e repasses que totalizaram R$ 13,6 milhões entre 26 e 28 de março de 2024. O relatório também indica indícios de operações milionárias com criptoativos, incluindo movimentações em USDT (Tether) e com fintechs do setor.

Outra linha de investigação aponta conexões financeiras entre a Victory Trading, a Wave e a UJ Football Talent. A UJ foi mencionada no acordo de colaboração premiada de Antonio Vinicius Lopes Gritzbach, delator assassinado em novembro de 2024, como empresa supostamente ligada a Danilo Lima de Oliveira, o "Tripa", apontado como membro do PCC. Embora o relatório policial não afirme que Victor Shimada seja membro do PCC, ele sustenta que o empresário estaria inserido em um fluxo financeiro que se conecta a indivíduos e empresas citadas em investigações sobre a organização criminosa. Investigadores também apontam uma possível ligação operacional entre Shimada e Inauê Santiago Carneiro, ligado à Wave, evidenciada pela abertura de contas na mesma instituição financeira com numeração sequencial e por indícios de que fotos de cadastro foram tiradas no mesmo local.

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