DISPUTA POR FATIA

Eli Lilly reduz preço do Mounjaro no Brasil em resposta à concorrência nacional e produtos ilegais

Mounjaro muda sinais cerebrais ligados ao prazer e ao impulso de comer, veja estudo
Mounjaro muda sinais cerebrais ligados ao prazer e ao impulso de comer, veja estudo

Decisão da farmacêutica americana ocorre em meio à pressão de canetas manipuladas, importações ilegais e lançamento de medicamentos nacionais mais baratos à base de semaglutida.

A farmacêutica Eli Lilly anunciou, na sexta-feira, 12 de junho de 2026, uma redução significativa nos preços do Mounjaro no Brasil. A decisão, que oferece descontos de mais de R$ 1 mil com seu programa de fidelidade, surge em um momento de intensa disputa pelo mercado nacional de canetas para perda de peso. O mercado está sob pressão de versões manipuladas produzidas em larga escala, de produtos importados ilegalmente e da entrada de canetas de semaglutida nacionais com valores mais acessíveis. Esta estratégia visa manter a competitividade e o acesso ao medicamento em um cenário cada vez mais acirrado.

Os novos valores divulgados pela Eli Lilly visam tornar o tratamento mais acessível, refletindo a necessidade de adaptação às dinâmicas de mercado:<ul><li><strong>Pacote inicial (2,5 mg + 5 mg):</strong> O kit com duas caixas, antes em torno de R$ 3.350, agora custa R$ 2.250, representando uma economia de R$ 1.100.</li><li><strong>Pacote de ajuste de dose (7,5 mg):</strong> O kit com duas caixas teve seu preço reduzido em R$ 1.600, passando a custar R$ 3.998.</li><li><strong>Pacote de ajuste de dose avançado (10 mg):</strong> O kit com duas caixas agora sai por R$ 4.598, com um desconto de R$ 2.600.</li></ul>

Mounjaro muda sinais cerebrais ligados ao prazer e ao impulso de comer, veja estudo.

Mounjaro (tirzepatida) é indicado para o tratamento de diabetes tipo 2. Foto: divulgação Lilly.

Disputa no mercado de manipulados

A Eli Lilly detém a patente exclusiva da tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro. Contudo, a legislação brasileira permite que farmácias de manipulação produzam a substância para uso individual mediante prescrição médica. O que se observa, no entanto, é a produção em escala industrial, configurando um mercado informal que exerce pressão sobre as indústrias farmacêuticas estabelecidas. Em resposta, a Anvisa anunciou que reforçará a fiscalização de doses manipuladas, embora as medidas específicas ainda estejam em discussão.

Anvisa aprova primeira caneta emagrecedora nacional.

Semaglutida nacional

Com a expiração de patentes no início do ano, a farmacêutica brasileira EMS foi a primeira a obter autorização para a produção nacional de medicamentos à base de semaglutida. A Ozivy, que utiliza o mesmo princípio ativo de Ozempic e Wegovy, chega ao mercado na próxima semana. Seus preços iniciais serão a partir de R$ 452 por caixa, um valor que representa quase metade do praticado atualmente. O plano de tratamento proposto pela empresa para os primeiros três meses reduz o custo mensal médio para o paciente a R$ 287. Outras empresas, como a Eurofarma, que produz Extensior e Poviztra, também anunciaram reduções de preço para medicamentos com semaglutida, com doses de início de tratamento custando entre R$ 399 e R$ 599.

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