ALERTA CLIMÁTICO GLOBAL
El Niño avança: Sinais de formação se intensificam no Pacífico Equatorial
Órgãos nacionais e internacionais confirmam elevação das temperaturas do mar. Fenômeno pode trazer secas e chuvas extremas, com o planeta já mais aquecido.
As condições para a formação de um novo episódio de El Niño estão cada vez mais intensas, conforme indicam dados recentes de monitoramento climático. Órgãos como o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) e a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) sinalizam um aquecimento significativo na superfície do Oceano Pacífico Equatorial, na região conhecida como Niño 3.4. A anomalia da temperatura da superfície do mar, que era próxima da neutralidade em maio, atingiu 0,7 °C acima da média na primeira semana de junho, um indicativo forte de que o fenômeno climático está se consolidando nos próximos meses.
A decisão de alertar sobre a crescente probabilidade do El Niño foi tomada por esses órgãos com base em análises contínuas de dados de satélite e outras medições oceanográficas. A importância reside no impacto global que o fenômeno pode gerar, alterando padrões de chuva e temperatura em diversas partes do mundo. No Brasil, por exemplo, o El Niño historicamente provoca aumento de chuvas no Sul, enquanto o Norte e o Nordeste podem enfrentar períodos de seca mais intensos, além de maior frequência de ondas de calor.
O Inmet informou que divulgará até o fim desta semana uma nota técnica com as informações mais atualizadas sobre a previsão do fenômeno. A agência dos Estados Unidos, por sua vez, em uma atualização divulgada na segunda-feira, 8 de junho de 2026, estima em 82% a probabilidade de o El Niño se estabelecer já no trimestre maio-julho de 2026, com 96% de chance de persistir até o verão do Hemisfério Sul (dezembro-fevereiro).
O El Niño faz parte de um ciclo natural do clima, o ENOS (El Niño-Oscilação Sul), que alterna fases quentes (El Niño), frias (La Niña) e neutras. A fase quente é caracterizada pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, o que altera a circulação atmosférica e, consequentemente, o regime de chuvas e temperaturas em escala global. A alteração na temperatura do mar na região Niño 3.4, que serve como principal área de monitoramento, é um sinalizador chave para a antecipação desses impactos.
Os dados mais recentes da NOAA indicam um aquecimento generalizado em todas as regiões de monitoramento do Pacífico Equatorial. Além da anomalia de 0,7 °C na região Niño 3.4, outras áreas apresentam elevações ainda maiores: 1 °C na região Niño 3 e 2,1 °C na região Niño 1+2, próxima à costa da América do Sul. Essa variação é visível em imagens de satélite, como as do Sentinel-6 Michael Freilich, que em junho de 2026 mostram áreas em vermelho no Pacífico equatorial, indicando águas mais elevadas, um sinal típico do desenvolvimento do El Niño.
Desde 2006, o planeta tem vivenciado uma sequência de episódios de El Niño, contribuindo para a intensificação das mudanças climáticas. Mesmo eventos considerados fracos ou moderados, quando ocorrem em um mundo já mais quente devido ao aquecimento global, aumentam o risco de extremos como secas prolongadas, inundações severas e ondas de calor intensas. O El Niño de 2023-2024, por exemplo, foi classificado como forte e associado a novos recordes de calor global.
Em termos de dignidade humana e bem-estar social, a formação do El Niño é um ponto de atenção. Impactos como a redução de chuvas em regiões que dependem de agricultura para subsistência podem levar à escassez de alimentos e à instabilidade econômica. Da mesma forma, o aumento de eventos climáticos extremos, como inundações e ondas de calor, representa um risco direto à vida e à infraestrutura das comunidades. A necessidade de adaptação e de políticas públicas eficazes torna-se ainda mais urgente.
Historicamente, a formação do El Niño no Brasil tem sido associada a:
- Aumento de chuva no Sul, elevando o risco de eventos extremos.
- Redução significativa de chuvas no Norte e em partes do Nordeste.
- Maior irregularidade nas precipitações nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.
- Elevação na frequência de ondas de calor, especialmente durante a primavera e o verão.
Especialistas reiteram que, apesar da natureza cíclica do El Niño e La Niña, o aquecimento global provocado pela ação humana continua sendo o principal motor das mudanças climáticas. Com os oceanos já em temperaturas mais elevadas do que a média histórica, a expectativa é de que os próximos meses registrem um aquecimento generalizado, com potenciais efeitos amplificados devido à interação com o fenômeno El Niño.
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