CALOR EXTREMO NA EUROPA
Europa registra verão mais quente da história com crise climática
O oeste do continente enfrenta recordes de temperatura e incêndios devastadores. Especialistas apontam falhas estruturais na adaptação ao clima extremo.
O oeste da Europa atingiu as marcas de temperatura mais elevadas de sua história durante o início do verão, um fenômeno que sobrecarrega a infraestrutura regional e ameaça a segurança das populações. O registro foi confirmado nesta segunda-feira (10) pelo Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia, em um cenário marcado por incêndios florestais descontrolados e uma crise hídrica crescente.
A temperatura média nos meses de junho e julho atingiu 21,62 graus Celsius, superando em 2,79 graus a média histórica e batendo o recorde anterior de 2022. O aquecimento global, potencializado pelo fenômeno Super El Niño no Pacífico, elevou drasticamente as temperaturas nos oceanos Atlântico e Mediterrâneo Ocidental, com reflexos severos na vida marinha e nas comunidades costeiras.
A vulnerabilidade do continente é evidenciada pela falta de sistemas de climatização adequados e por uma infraestrutura envelhecida, incapaz de suportar as ondas de calor recorrentes que já ceifaram mais de 25 mil vidas este ano, conforme compilado pela Bloomberg. Samantha Burgess, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, destaca que a seca persistente dos solos impede o resfriamento natural, criando um ciclo retroalimentado de temperaturas extremas.
A situação é crítica em países como França, Espanha, Alemanha e Reino Unido, onde os déficits de umidade atingiram patamares recordes. A devastação provocada pelos incêndios, que consumiram 498 mil hectares de terra até o relatório divulgado em 6 de agosto, estende seus danos à qualidade do ar, conforme alerta Laurence Rouil, do Serviço de Monitoramento da Atmosfera do Copernicus.
Além dos danos ambientais, o setor energético enfrenta riscos diretos. O baixo nível dos rios Sena, Reno e Danúbio forçou a interrupção temporária de reatores nucleares na Hungria e na Romênia. Richard Allan, da Universidade de Reading, na Inglaterra, alerta que esses níveis baixos são apenas o início de desafios climáticos ainda maiores que o continente deverá enfrentar nos próximos anos.
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