CLIMA E CIÊNCIA

Entenda como cientistas identificam recordes de calor e ondas extremas

Termômetro público marcando alta temperatura em Paris com a Torre Eiffel ao fundo.
Termômetro de farmácia em Paris durante onda de calor. Foto: Gonzalo Fuentes/Reuters.

Especialistas explicam os métodos de medição global e o papel da atividade humana nas temperaturas históricas observadas recentemente.

O calor extremo que tem atingido diversas regiões, da Ásia Oriental à Europa e aos Estados Unidos, levanta questões essenciais sobre como a ciência define eventos climáticos sem precedentes. Fenômenos como o aumento nas taxas de mortalidade, incêndios florestais e a pressão sobre sistemas de energia tornam fundamental compreender os critérios utilizados para classificar uma temperatura como recorde.

Para determinar o que configura um registro histórico, climatologistas monitoram milhares de estações meteorológicas. Um recorde é estabelecido quando a marca térmica em um local específico supera a máxima observada anteriormente para aquele dia, mês ou estação. Para análises de larga escala, dados de estações, navios e boias oceânicas são integrados, com instituições como o Instituto Goddard para Estudos Espaciais (GISS), os Centros Nacionais de Informação Ambiental (NCEI) e o Met Office Hadley Centre servindo como referências desde 1880.

A reconstrução de cenários pré-termômetros é realizada por meio de arquivos climáticos, como núcleos de gelo — extraídos inclusive na Antártida — e anéis de árvores. Friederike Otto, do World Weather Attribution (WWA), explica que o uso de modelos climáticos permite comparar o clima atual com períodos em que a influência humana não existia. A conclusão técnica é que, embora o planeta já tenha passado por eras quentes, o aquecimento atual, impulsionado pela queima de combustíveis fósseis, ocorre em uma velocidade sem precedentes nos últimos milhões de anos.

A diferenciação entre uma flutuação sazonal e uma tendência persistente é feita através da análise de décadas de dados. Gerald Mills, da University College Dublin, destaca que a convergência de evidências científicas aponta consistentemente para o aquecimento global. Esse monitoramento inclui, inclusive, a análise de ilhas de calor urbanas, onde o concreto e a falta de vegetação retêm temperaturas mais elevadas do que em áreas rurais, agravando o risco à saúde pública durante as ondas de calor.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário