INFLAÇÃO EM ALERTA

Economista alerta para múltiplos riscos que pressionam a inflação a mais de 5% em 2026

Gráfico mostrando a projeção de inflação em alta.
Mercado financeiro eleva projeções de inflação pela 11ª semana consecutiva.

Patrícia Krause, da Coface, explica como tensões geopolíticas, clima e fatores internos podem elevar os preços. Mercado já projeta alta por 11 semanas seguidas.

O mercado financeiro elevou novamente suas projeções para a inflação brasileira, ultrapassando a marca de 5% para este ano. O dado, que representa a 11ª semana consecutiva de aumento nas expectativas, consolida um cenário de pressão sobre os preços, já antecipado pelo setor. A economista-chefe Latin America da Coface, Patrícia Krause, avalia que múltiplos fatores de risco convergem para um cenário inflacionário mais desafiador.

Entre os principais vetores de pressão, Krause destacou o conflito no Oriente Médio, que intensifica a tensão geopolítica e pode impactar diretamente os preços de commodities energéticas. No Brasil, os preços dos combustíveis ainda não refletem integralmente as altas observadas no mercado internacional, indicando um potencial de repasse futuro.

Outro ponto de atenção reside na inflação de alimentos. Embora o acumulado em 12 meses apresente um patamar relativamente controlado, a perspectiva de chegada do fenômeno climático El Niño no segundo semestre tende a gerar pressão sobre os preços do setor. Essa incerteza climática adiciona uma camada de complexidade à previsão de estabilidade de preços.

Em relação ao IPCA-15, prévia da inflação oficial divulgada nesta quarta-feira, 27 de maio de 2026, a economista estimou uma leitura mensal em torno de 0,6%, com os preços ainda amplamente pressionados. O componente de passagens aéreas pode trazer volatilidade adicional à leitura, embora a contribuição menor do segmento de combustíveis em relação a abril deva moderar parte do impacto. O resultado deve manter a inflação acumulada em 12 meses em trajetória de alta.

No âmbito do PIB (Produto Interno Bruto), a projeção da Coface para o ano já se situava em torno de 1,9%, alinhada às estimativas do boletim Focus, que chegaram a 1,89%. Os dados preliminares do primeiro trimestre indicam um desempenho robusto da economia, mas Krause projeta uma desaceleração gradual nos próximos períodos. Medidas de estímulo anunciadas podem atenuar a velocidade dessa desaceleração. Para o primeiro trimestre, a expectativa é de crescimento em torno de 1% em relação ao trimestre anterior.

Quanto ao câmbio, fatores como o enfraquecimento do dólar, termos de troca favoráveis ao Brasil e o superávit da balança comercial apontam para a apreciação do real, com a taxa de juros real ainda elevada atraindo investidores. A economista estima que o câmbio deve se manter próximo de R$ 5,00. Para o segundo semestre, o cenário eleitoral pode introduzir volatilidade, mas a familiaridade dos candidatos com o mercado tende a atenuar parte da incerteza.

Diante dos riscos inflacionários persistentes, Patrícia Krause alerta que o Banco Central pode não conseguir atingir o patamar de 13,25% para a Selic projetado pelo Focus. Se o conflito no Oriente Médio não for resolvido, as decisões sobre a taxa de juros podem ocorrer de forma mais gradual, possivelmente levando a Selic a um patamar mais próximo de 14%, em vez dos 13,25% previstos.

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