IMAGEM USADA INDEVIDAMENTE
Drauzio Varella denuncia uso de imagem para venda de medicamentos falsos
Médico oncologista relata ser associado a venda de remédios falsificados e alerta sobre perigos para consumidores em plataformas digitais. Especialistas discutem regulação e responsabilidade.
nesta quarta-feira, 01/07/2026, durante o Metrópoles Talks “Produtos de saúde em plataformas digitais: quem protege o consumidor?”, o Dr. Drauzio Varella denunciou o uso indevido de sua imagem por quadrilhas que aplicam golpes com medicamentos falsos. O médico oncologista expressou preocupação com a dimensão global do problema, que no Brasil assume contornos particularmente graves, afetando a dignidade das pessoas que são enganadas. O Dr. Varella relatou que cidadãos o abordam na rua afirmando utilizar medicamentos que ele supostamente anunciou, quando na verdade não realiza publicidade de nenhum remédio. Ele apresentou um caso chocante: uma repórter descobriu um curso online para imitar sua voz e imagem, com o objetivo de vender produtos falsificados, e descobriu que 600 pessoas estavam matriculadas. Esse cenário evidencia a exploração de confiança e a potencial negligência das plataformas digitais. Ivo Bucaresky, ex-diretor da Anvisa, reforçou que a propaganda de medicamentos é proibida no Brasil, exceto para aqueles isentos de prescrição e sob rigorosas limitações. Ele alertou que qualquer propaganda de remédio fora dessas regras é irregular. Bucaresky destacou a crescente venda de produtos milagrosos e falsificados na internet, sem que as plataformas assumam responsabilidade, ignorando as exigências de controle de temperatura, umidade e estoque, além da supervisão de farmacêuticos, presentes em farmácias e hospitais licenciados. Fernando Aith, diretor do Centro de Pesquisas em Direito Sanitário da USP, explicou que a legislação atual prevê responsabilidade civil objetiva e solidária para quem causa danos com medicamentos. Isso significa que todos os envolvidos no ciclo de venda, do fabricante à plataforma digital, podem ser responsabilizados. No entanto, ele apontou que a responsabilidade em casos de infrações sanitárias e crimes como falsificação e propaganda enganosa, especialmente em ambientes virtuais onde a localização física é incerta, ainda necessita de regulamentação clara para definir a culpa. O evento, oferecido pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), buscou debater os riscos sanitários da venda de produtos de saúde em plataformas digitais, os desafios da fiscalização, o papel da Anvisa e os limites de atuação dos marketplaces. A discussão visou oferecer informações essenciais sobre segurança, responsabilidade e regulação para os milhões de brasileiros que adquirem produtos de saúde online.
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