RISCOS DIGITAIS SAÚDE

Ex-diretor da Anvisa alerta sobre produtos anunciados com registro inexistente

Dr. Drauzio Varella, Ivo Bucaresky e Fernando Aith discutindo em um painel.
Dr. Drauzio Varella, Ivo Bucaresky e Fernando Aith participaram do Metrópoles Talks.

Especialistas debatem a venda irregular de itens de saúde em plataformas online e a falta de fiscalização. Dr. Drauzio Varella e Ivo Bucaresky destacam os perigos para o consumidor.

Nesta quarta-feira, 01/07/2026, o Metrópoles Talks abordou os perigos da venda de produtos de saúde em plataformas digitais, levantando questões sobre fiscalização, o papel da Anvisa e a responsabilidade dos marketplaces. A discussão, que reuniu especialistas renomados, focou em como proteger o consumidor diante de um mercado em constante evolução tecnológica.

Ivo Bucaresky, ex-diretor da Anvisa e consultor em regulação e economia da saúde, alertou sobre a dificuldade das agências em acompanhar as inovações e, principalmente, a venda irregular de produtos fiscalizados. Ele ressaltou que a Anvisa regula toda a cadeia produtiva, desde a fabricação até a venda final, e que a falta de controle em plataformas digitais compromete a segurança sanitária. "Desconfie de qualquer produto que já sai anunciando que tem registro na Anvisa, porque a agência não autoriza propaganda. Sempre consulte o site oficial para saber se o produto é regularizado", aconselhou Bucaresky, reforçando a necessidade de aprimoramento regulatório.

Fernando Aith, diretor do Centro de Pesquisas em Direito Sanitário da USP, apontou que as leis atuais para o setor farmacêutico são antigas e não abrangem totalmente a era digital. A proteção ao consumidor, segundo ele, baseia-se no Código de Defesa do Consumidor e em órgãos como Procon, além da vigilância sanitária, mas lacunas persistem. A recente permissão para venda de medicamentos e suplementos online, assim como a presença de farmacêuticos em supermercados, também foram temas de discussão.

O médico oncologista Drauzio Varella expressou preocupação com a disseminação de produtos vendidos indiscriminadamente pela internet. "Quem compra um medicamento desses, que vem pela internet, é muito cômodo, mas você não tem ideia de como isso foi fabricado, em que locais aconteceu essa fabricação, de como eles foram preservados", declarou Varella. Ele contrastou a evolução da indústria farmacêutica e dos mecanismos de controle, como a criação da Anvisa, com o passado de produtos de origem duvidosa e a falta de segurança na compra online. "Quando se compra pela internet, você não tem nem ideia do que aconteceu. Vi uma vez umas fotografias de locais onde eram fabricados medicamentos falsos e não dava para acreditar, horríveis, imundos, mas com o preço sempre muito convidativo", relatou.

O evento, oferecido pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), teve como objetivo discutir a segurança, a responsabilidade e a regulação no comércio digital de produtos de saúde, impactando milhões de consumidores.

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