BEM-ESTAR URGENTE

Dor por mais de 3 meses não é normal, adverte especialista

Kelly Gama, fisioterapeuta especialista em dor crônica e fibromialgia, destaca a necessidade de investigação para dores persistentes.
Fisioterapeuta Kelly Gama alerta sobre a importância de investigar a dor crônica para evitar incapacidade.

Fisioterapeuta Kelly Gama destaca o impacto da dor crônica na rotina e a necessidade urgente de buscar ajuda profissional. Entenda como o tratamento pode restaurar a qualidade de vida e a dignidade.

A dor persistente que ultrapassa três meses não deve ser normalizada e exige investigação profissional imediata, alerta a fisioterapeuta Kelly Gama. Em entrevista ao Jornal da Cidade, da 94 FM, na última segunda-feira, 18 de maio de 2026, a especialista em dor crônica e fibromialgia reforçou que a negligência de um sintoma pode transformá-lo em uma doença incapacitante, comprometendo gravemente a rotina, o sono e a dignidade do indivíduo.

Kelly Gama defende a busca por avaliação profissional sempre que a dor passa a interferir na rotina, no sono, na prática de atividade física e na qualidade de vida. "Toda dor pode ser um sintoma ou uma doença. Então, a dor como sintoma, você precisa investigar a causa do problema”, afirmou a fisioterapeuta. “Não é normal todo dia sentir dor. Conviver com a dor não é normal.”

Segundo a especialista, a dor que se prolonga por mais de três meses acende um sinal de alerta, pois ela começa a limitar a vida do paciente, prejudicar o sono, afastar a pessoa dos exercícios e modificar o ritmo diário. O Ministério da Saúde, inclusive, adota o mesmo marco temporal para definir a dor crônica como uma condição persistente ou recorrente por mais de três meses.

“O problema da dor é a incapacidade que ela causa. Quando o seu corpo começa a alarmar com a dor, isso é apenas um sinal. Mas quando você persiste por mais de três meses, ela começa a limitar a sua vida”, explicou Kelly Gama, enfatizando o impacto devastador na autonomia e no bem-estar.

Este tema ganha especial relevância em maio, mês do Dia Nacional de Conscientização sobre a Fibromialgia, lembrado em 12 de maio. A síndrome, que afeta entre 2% e 3% da população brasileira (principalmente mulheres, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia), é caracterizada por dor crônica generalizada, fadiga, alterações no sono e aumento da sensibilidade.

A fisioterapeuta detalhou que, na fibromialgia, o sistema nervoso central se torna hipersensível, fazendo com que estímulos que normalmente não causariam dor passem a incomodar profundamente. “Coisas que não eram para doer, doem. Isso é um processo fisiológico da própria doença”, explicou.

Kelly Gama também diferenciou a dor comum da dor crônica. Enquanto a dor mecânica geralmente tem uma causa identificável e varia com postura ou movimento, a dor crônica envolve alterações de sensibilidade. “O paciente crônico é aquele que sente dor com coisas que não deveriam doer. A roupa incomoda, o paciente tem dor quando coloca um colar”, exemplificou, ilustrando o sofrimento diário.

No tratamento, a fisioterapia desempenha um papel fundamental, atuando com avaliação funcional, alívio da dor e educação do paciente. Muitas vezes, a própria rotina — como permanecer longas horas em uma mesma posição ou adotar posturas inadequadas — contribui para a piora do quadro.

Entre as abordagens modernas, a neuromodulação é citada pela fisioterapeuta como uma técnica promissora para pacientes com dor crônica e fibromialgia. Ela busca dessensibilizar o sistema nervoso e reduzir a percepção da dor. “Nós fazemos a neuromodulação e logo em seguida colocamos esse paciente para se movimentar. Estou ensinando o sistema nervoso central dele que ele pode se movimentar sem sentir dor”, explicou.

Kelly Gama reiterou, no entanto, que o tratamento deve ser individualizado e conduzido por profissionais capacitados. Ela também enfatizou a importância da atividade física bem orientada, especialmente para pacientes com fibromialgia, seguindo as recomendações da Sociedade Brasileira de Reumatologia, que aponta o exercício como uma das principais medidas não medicamentosas no tratamento da síndrome.

“Não é o exercício que causa dor. É o exercício quando ele não é bem indicado para você”, concluiu a especialista, incentivando a busca por acompanhamento adequado para recuperar a qualidade de vida.

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