RISCO DE VIDA ELEVADO
Dois bebês morrem de Ebola no Congo; risco para crianças é elevado
Bebê Buswaza, com menos de duas semanas de vida, foi uma das vítimas mais jovens da epidemia. Cuidadores e outros bebês no orfanato apresentaram casos suspeitos, aumentando a preocupação com a vulnerabilidade infantil.
Após a morte de sua mãe no final de maio, a bebê Buswaza foi levada para um orfanato administrado por uma igreja no leste do Congo, onde as freiras logo descobriram que a recém-nascida estava com febre. Em poucos dias, ela morreu vítima do que mais tarde se descobriu ser Ebola.
A decisão de alertar as autoridades de saúde e iniciar o monitoramento ocorreu após a confirmação de que a bebê Buswaza, que viveu menos de duas semanas, morreu de Ebola. A notícia importa porque, na quarta-feira, 10/06/2026, outros seis bebês no orfanato com 69 crianças em Bunia, cidade da província de Ituri, epicentro do surto na República Democrática do Congo, foram identificados como casos suspeitos. A vulnerabilidade das crianças em um cenário de desnutrição e conflito eleva o risco.
Os bebês suspeitos foram levados para o hospital, onde cinco testaram negativo posteriormente e receberam alta. No entanto, uma terceira bebê, uma trigêmea órfã apelidada de 'Cherie' ou 'querida', com menos de um ano de idade, teve Ebola confirmado e faleceu na quarta-feira, segundo o Dr. Freddy Kibwana, chefe do Centro Médico Evangélico (CME). Essa perda ressalta o impacto devastador da doença na dignidade e no futuro das crianças.
Crianças e bebês podem facilmente se tornar vetores da doença através de fluidos corporais, como vômito, fezes e saliva, que são altamente infecciosos. O vírus Ebola foi detectado no líquido amniótico e na placenta, indicando a possibilidade de transmissão da mãe para o filho no útero ou durante o parto, e até mesmo pelo leite materno. Essa capacidade de transmissão agrava a situação das gestantes e recém-nascidos.
Três dos cuidadores dos bebês falecidos, incluindo uma freira, testaram positivo para o vírus Ebola, demonstrando o risco que os adultos mais próximos também correm. As irmãs do orfanato, que o fundaram na época colonial, expressam profunda comoção e preocupação com a situação, evidenciando o aspecto humano e a fragilidade diante da epidemia.
Buswaza é uma das vítimas mais jovens da epidemia, que já infectou quase 600 pessoas e matou pelo menos 115 em todo o Congo. A situação é agravada pelo fato de que crianças representam cerca de 17% dos casos confirmados neste surto. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA alertam que esse percentual pode ser maior do que em surtos anteriores na África Ocidental.
Embora as crianças pequenas representem uma parcela menor dos casos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que elas podem estar sob maior risco de complicações graves e morte. Há poucos dados disponíveis sobre o impacto desta cepa específica do vírus, o Bundibugyo, em crianças. A desnutrição crônica e as taxas de vacinação irregulares em Ituri, onde 52,1% das crianças menores de cinco anos apresentavam desnutrição crônica em 2023, aumentam ainda mais a vulnerabilidade.
Muitas das crianças do orfanato são sobreviventes de conflitos armados, o que as torna ainda mais suscetíveis a agravamentos rápidos de saúde caso sejam infectadas. Em resposta, a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho disponibilizou sacos para cadáveres de tamanho infantil, garantindo enterros seguros e dignos. Equipes de saúde visitam o orfanato diariamente para monitoramento. O local, que é o único refúgio para muitas dessas crianças, encontra-se em uma crise humanitária já estabelecida.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário