ERRO MÉDICO GRAVE

Médico é indiciado pela morte de menino picado por escorpião

Pai de criança vítima de picada de escorpião fala sobre o indiciamento do médico em Conchal.
Paulo Henrique Mendes Dias, pai de Bernardo de Lima Mendes, clama por justiça após o indiciamento do médico responsável pelo atendimento.

O profissional confessou desconhecer protocolos para picadas de escorpião em crianças. Polícia Civil pediu seu afastamento cautelar das funções.

O médico Augusto Fortunato de Godoi foi indiciado pela Polícia Civil pela morte de Bernardo de Lima Mendes, de 3 anos, ocorrida após o menino ser picado por um escorpião. A decisão, tomada pelo delegado Luís Henrique Lima Pereira, baseia-se na negligência do profissional ao não seguir diretrizes nacionais de saúde para o atendimento de crianças, o que culminou no óbito da vítima e gerou um pedido de afastamento cautelar do médico de suas funções em unidades de urgência e emergência.

O indiciamento foi formalizado após o depoimento prestado pelo médico, de forma on-line, em 4 de agosto. Durante o interrogatório, o profissional admitiu que não possuía conhecimento sobre o protocolo específico para acidentes com escorpiões em menores de 10 anos. Segundo o delegado, a insistência do médico em manter a criança em observação, em vez de buscar a transferência imediata via sistema de "vaga zero", impediu o acesso ao soro antiescorpiônico no tempo hábil, causando a perda da janela terapêutica essencial para a sobrevivência do paciente.

O inquérito, que soma 16 páginas, aponta que Bernardo de Lima Mendes deu entrada no Hospital Madre Vannini, em Conchal (SP), mas o contato para transferência via Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) ocorreu com atraso superior a duas horas. Para a família, a medida da Polícia Civil traz um alívio parcial na busca por justiça. Paulo Henrique Mendes Dias, pai da criança, reforçou que o principal objetivo é evitar que outras famílias passem pela mesma tragédia, destacando a importância do afastamento do médico como forma de proteção à sociedade.

A defesa de Augusto Fortunato de Godoi declarou que mantém a convicção na inocência do cliente. Por sua vez, o Hospital Madre Vannini afirmou ter realizado uma sindicância interna que concluiu pela adequação do atendimento prestado. O caso segue agora para análise do Ministério Público, que decidirá sobre a formalização da denúncia e o acatamento do pedido de afastamento do profissional.

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