SAÚDE E SOLIDARIEDADE

Doação de leite humano cresce 11% no RJ, mas volume é insuficiente para demanda

Frascos de leite humano sendo processados em laboratório da Fiocruz.
Coleta de leite materno é fundamental para a recuperação de bebês prematuros em UTIs.

A coleta no estado do Rio de Janeiro avançou no primeiro semestre de 2026, porém o volume ainda requer um aumento de 20% para atender plenamente a todos os recém-nascidos.

O volume de leite humano coletado no estado do Rio de Janeiro registrou um aumento de 11% no primeiro semestre de 2026, quando comparado ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Fiocruz. O crescimento, celebrado durante o Agosto Dourado — mês dedicado ao incentivo da amamentação —, é um passo importante, mas ainda aquém da necessidade real das unidades de saúde fluminenses.

Entre janeiro e junho deste ano, foram arrecadados 470 litros a mais de leite materno. Danielle Aparecida da Silva, coordenadora do Banco de Leite Humano (BLH) do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), esclarece que a quantidade coletada não depende apenas do número de doadoras, mas de variáveis fisiológicas e estímulos individuais de cada lactante.

Embora o avanço seja positivo, o cenário atual exige cautela. Especialistas apontam que a rede estadual precisa elevar a coleta em pelo menos 20% para suprir a demanda integral dos bebês internados. Atualmente, o RJ conta com 18 Bancos de Leite Humano, mas a Fiocruz alerta para a carência dessas unidades em áreas estratégicas como a Baía de Ilha Grande, a Região Norte e a Região dos Lagos, onde a presença de UTIs neonatais torna o suporte ainda mais urgente.

O impacto na sobrevivência

Para famílias como a da designer Damires Teixeira Pontes, moradora de Pilares, na Zona Norte do Rio, o leite doado foi vital. Mãe de gêmeos nascidos prematuramente com 34 semanas, ela recorreu ao IFF/Fiocruz quando ainda não possuía produção própria após uma cesárea de emergência. "Representou a sobrevivência dos meus filhos. Foi o básico necessário para que eles se mantivessem bem durante a internação", relata Damires, que planeja se tornar doadora no futuro.

Do outro lado dessa rede de apoio está a engenheira civil Débora Cristina, residente na Tijuca. Ela iniciou o processo de doação ao perceber que descartava o leite excedente que não era consumido pelo filho, Dante. "Eu precisava ajudar. Não posso continuar jogando fora quando tantos bebês necessitam", afirma.

Especialistas reforçam que a doação não compromete a nutrição do filho da doadora. Segundo Rozania Bicego Xavier, do IFF/Fiocruz, o processo de lactação baseia-se na oferta e demanda: esvaziar a mama adequadamente estimula o corpo a produzir mais. A prioridade, garante a gestora, é sempre o bebê da própria mulher.

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