VIOLÊNCIA NO TRABALHO
Técnicas de enfermagem denunciam abusos sexuais em hospitais do Recife
Servidoras apontam crimes ocorridos em áreas de descanso do Hospital da Restauração e do Hospital Getúlio Vargas; Secretaria Estadual de Saúde investiga casos.
Duas técnicas de enfermagem denunciaram ter sido vítimas de abuso sexual enquanto descansavam em unidades da rede pública de saúde da capital pernambucana. A decisão de tornar públicos os relatos ocorreu por intermédio da defesa das profissionais, que buscam responsabilização administrativa e criminal contra os agressores, ambos também técnicos em enfermagem.
O advogado Jefferson Neves, responsável pela representação das servidoras, detalhou que os abusos ocorreram em áreas de repouso destinadas aos funcionários no Hospital da Restauração (HR), localizado no bairro do Derby, e no Hospital Getúlio Vargas (HGV), situado no bairro do Cordeiro. O impacto emocional é severo, com relatos de sequelas psicológicas que exigem acompanhamento especializado contínuo.
No caso do HR, o crime aconteceu em 2024 e o agressor já possui uma condenação em segunda instância. Apesar da decisão judicial, que estabeleceu regime semiaberto e indenização, a defesa aponta uma lentidão preocupante na esfera administrativa. A Secretaria Estadual de Saúde (SES) instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), mas o trâmite segue sem conclusão, o que gera questionamentos sobre a celeridade da administração pública.
Já a denúncia envolvendo o HGV refere-se a fatos ocorridos em março deste ano. A vítima foi surpreendida enquanto dormia, o que motivou o registro do caso na Delegacia do Cordeiro. A investigação da Polícia Civil ainda aguarda conclusão para ser remetida ao Ministério Público de Pernambuco. A defesa alerta que a insuficiência de vagas em repousos segregados por gênero obriga muitas profissionais a utilizarem áreas mistas ou setores de trabalho, fragilizando a segurança das trabalhadoras.
Além dos casos formalizados, outras quatro mulheres procuraram o escritório de advocacia para denunciar abusos semelhantes, mas optaram pelo silêncio por temor de retaliações profissionais. A Secretaria Estadual de Saúde informou que os investigados foram afastados preventivamente e que os PADs seguem em tramitação, embora não tenha detalhado prazos ou respondido sobre as falhas na segurança das áreas de descanso.
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