SAÚDE CARDIOVASCULAR INTEGRAL

Por que o LDL não é o único indicador para prevenir infarto ou AVC

Estetoscópio sobre exames laboratoriais, ilustrando a consulta cardiológica.
A avaliação cardiovascular vai além dos exames de rotina, buscando perfis genéticos e riscos individuais.

Especialista esclarece como a medicina moderna evoluiu para além do colesterol ruim, utilizando novos marcadores genéticos e exames de imagem para uma prevenção personalizada.

A avaliação da saúde cardiovascular exige um olhar que transcende os valores isolados de LDL, o conhecido “colesterol ruim”. A decisão médica de iniciar um tratamento, consolidada como estratégia central na cardiologia atual, busca compreender o risco real do indivíduo em vez de focar apenas em números laboratoriais, visando prevenir desfechos graves como o infarto e o acidente vascular cerebral (AVC).

No Dia Nacional de Combate ao Colesterol, a Dra. Paula Andrade Garcia reforça que a complexidade do sistema cardiovascular exige uma abordagem ampla. Duas pessoas com índices de LDL idênticos podem possuir riscos distintos de desenvolverem aterosclerose, processo em que placas de gordura obstruem as artérias ao longo dos anos.

O papel dos novos marcadores

Embora o LDL continue a ser um protagonista na formação de placas, a cardiologia moderna incorpora ferramentas que refinam o diagnóstico em pacientes específicos. Entre elas, destaca-se a medição da apolipoproteína B (ApoB), que estima a quantidade de partículas capazes de penetrar na parede arterial, e a avaliação da lipoproteína(a), cuja concentração é determinada geneticamente.

O escore de cálcio coronariano, realizado via tomografia, também surge como um aliado fundamental. Esse exame permite identificar calcificações precoces nas artérias antes da manifestação de qualquer sintoma, permitindo uma intervenção mais ágil e eficaz.

Prevenção e carga acumulada

A ciência atual enfatiza o conceito de “carga acumulada de colesterol”. Como a aterosclerose é uma doença que se desenvolve silenciosamente por décadas, a identificação precoce do risco é decisiva. A mudança de estilo de vida, ou a introdução de medicamentos quando necessária, atua diretamente na redução da exposição prolongada às gorduras nocivas.

A medicina caminha para a individualização. O objetivo não é aplicar a mesma diretriz para todos, mas sim adaptar as metas terapêuticas ao perfil de cada paciente, considerando histórico familiar, diabetes, pressão alta e outros fatores de risco.

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