VIGILANTISMO URBANO
DJ agredido por engano no Rio critica 'justiça própria'
A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga a agressão que deixou o DJ Bruno Vasconcelos Leitão com fraturas e traumas profundos, reacendendo o debate sobre a segurança urbana e o perigo da justiça feita com as próprias mãos.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, a brutal agressão sofrida pelo DJ Bruno Vasconcelos Leitão, de 37 anos. O artista foi atacado por três entregadores no Catete, Zona Sul do Rio de Janeiro, na última sexta-feira, 24 de abril de 2026. Ele foi violentamente espancado após ser erroneamente confundido com um ladrão de bicicleta, um grave incidente que expõe os perigos da justiça com as próprias mãos e o impacto devastador da desinformação na vida de um cidadão.
Bruno Vasconcelos Leitão, que utilizava uma bicicleta alugada por aplicativo, relatou o horror do momento em que foi abordado por três entregadores nas proximidades de uma loja de bolos. Segundo seu depoimento, ele não teve tempo de sequer explicar a situação antes de ser brutalmente agredido com socos e chutes, concentrados principalmente em seu rosto.
Mesmo tentando desesperadamente informar que a bicicleta havia sido alugada de forma totalmente regular, seus agressores não acreditaram em sua versão e persistiram na violência, deixando-o com ferimentos graves. Além de uma fratura no nariz, o DJ sofreu hematomas e escoriações por todo o corpo. Ele deverá ser submetido a uma cirurgia no Hospital Municipal Souza Aguiar para corrigir a lesão no nariz.
“Fiquei totalmente deformado”, desabafou Bruno, visivelmente abalado. “Muito sangue, nariz quebrado, dente trincado, cabeça latejando... fora o psicológico”, enumerou o DJ, que é freelancer e teve sua capacidade de trabalho diretamente afetada pela agressão. “Perdi trabalho. Sou DJ, freelancer, e passei por isso por pura desinformação.”
Após a série de agressões, quando conseguiu finalmente provar sua inocência, os próprios entregadores reconheceram o erro e pediram desculpas. No entanto, o trauma físico e emocional persiste para Bruno, que também aproveitou para criticar veementemente a atitude dos envolvidos e a crescente onda de vigilantismo.
“As pessoas não podem agir por conta própria. Não podem julgar a pessoa e dar o julgamento ali na hora na rua”, afirmou, ressaltando a importância de se respeitar a lei e o devido processo legal, em vez de recorrer à violência sumária.
A investigação do caso está em andamento na 9ª DP, no Catete. A Polícia Civil informou que a vítima já realizou exame de corpo de delito e que os agentes estão analisando toda a documentação médica pertinente. As diligências seguem para apurar detalhadamente as circunstâncias da agressão e identificar os responsáveis.
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