DISPUTA PARTIDÁRIA

Disputa por número de urna 1313 gera impasse interno no PT-RJ

Marcelo Freixo, Washington Quaquá e Lindbergh Farias discutem regras partidárias no Rio de Janeiro.
Marcelo Freixo, Washington Quaquá e Lindbergh Farias em divergência sobre número de urna.

Washington Quaquá cedeu o número de urna 1313 ao filho, Diego, gerando protestos de Lindbergh Farias e Marcelo Freixo, que acionaram a Executiva Nacional.

A definição sobre o uso do número de urna 1313 provocou um desentendimento entre lideranças do PT-RJ, colocando em lados opostos o vice-presidente nacional da legenda, Washington Quaquá, e os pré-candidatos à Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias e Marcelo Freixo. O caso, que envolve questões de preferência e influência interna, foi levado à Executiva Nacional do PT em 1º de agosto, conforme apurou o jornal O Globo.

A controvérsia teve início quando Washington Quaquá, atual prefeito de Maricá, optou por transferir o número 1313 para seu filho, Diego, que pretende concorrer ao Congresso pela primeira vez. A decisão foi contestada por Lindbergh Farias e Marcelo Freixo, que alegam que o procedimento ignora critérios democráticos e de meritocracia política, tratando o partido como uma "capitania hereditária".

O embate toca na sensível organização das campanhas eleitorais, onde a escolha da numeração é estratégica. Segundo as regras do TSE, números de fácil memorização, como o 1313, são altamente cobiçados por facilitarem a associação do eleitor ao candidato. Tradicionalmente, as legendas distribuem essas combinações com base em critérios como a reeleição de parlamentares ou a relevância política interna.

Em um movimento para expor o descontentamento, Lindbergh Farias e Marcelo Freixo publicaram vídeos nas redes sociais questionando a condução ética das decisões estratégicas do PT-RJ. Para eles, a prioridade deveria ser a organização da campanha de Lula no Estado do Rio, e não a perpetuação de nomes por laços de parentesco.

Washington Quaquá rebateu as críticas recorrendo ao histórico partidário. Em resposta, o dirigente relembrou divergências passadas dos seus críticos em relação ao presidente Lula, citando a Lava Jato, o ex-juiz Bretas, o ex-juiz Moro e a fundação do PSOL. Ele sustenta que a legitimidade do uso do número em Maricá, sua principal base eleitoral, deve ser preservada.

A queixa apresentada à Executiva Nacional aguarda análise, uma vez que a distribuição definitiva depende da consolidação das convenções partidárias e do respeito às normativas internas do PT.

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