IGUALDADE EM RISCO
Disparidade salarial entre gêneros aumenta no País, diz Relatório
Estudo do Ministério do Trabalho revela que mulheres recebem R$ 1.073,74 a menos. Diferença de 21,3% cresce desde 2024, apesar do avanço na participação feminina no mercado.
A persistência da desigualdade salarial no País é um desafio que afeta milhões de mulheres, mesmo com sua crescente participação no mercado de trabalho. O Ministério do Trabalho revelou, em recente levantamento publicado nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, que as trabalhadoras formais recebem, em média, 21,3% menos do que os homens, um dado que acende um alerta sobre a dignidade e a autonomia feminina no Brasil e que se intensifica com o tempo.
Baseado em dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), o 5º Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios analisou informações de aproximadamente 53 mil empresas que empregam 100 ou mais funcionários. O estudo não só confirmou o crescimento da participação feminina no emprego formal, com destaque para a inserção de mulheres negras, mas também expôs uma intensificação da disparidade de renda em diversos indicadores, contrariando a expectativa de equidade.
O relatório detalha um preocupante cenário de agravamento da diferença salarial. Desde 2024, a disparidade tem crescido consistentemente: em março daquele ano, era de 19,4%; em setembro, saltou para 20,7%; atingiu 20,9% em abril de 2025; e, na mais recente apuração, alcançou 21,3%. Este aumento progressivo sublinha a urgência de intervenções eficazes.
Na prática, esses números traduzem-se em um impacto financeiro direto e significativo: a remuneração média masculina atinge R$ 5.039,68, enquanto a feminina fica em R$ 3.965,94. Uma lacuna de mais de mil reais que compromete o poder de compra e a segurança econômica das trabalhadoras.
A disparidade salarial manifesta-se desde o momento da entrada no mercado de trabalho. Em 2025, mulheres recém-admitidas em empregos formais já recebiam 14,3% a menos que seus colegas homens, um incremento em relação aos 13,7% observados em 2023. A porta de entrada já se mostra desigual.
Apesar da ampliação da participação feminina no emprego formal, a renda delas não acompanha essa evolução. Entre 2023, ano da entrada em vigor da Lei da Igualdade Salarial, e 2025, o número de mulheres ocupadas cresceu 11%, saltando de 7,2 milhões para 8 milhões.
A presença feminina na massa de rendimentos também avançou, subindo de 33,7% para 35,2% do total. Contudo, esse percentual permanece aquém da real participação das mulheres no mercado de trabalho, que já atinge 41,4%. A desproporção evidente aponta para a subvalorização do trabalho feminino.
Para alcançar uma equivalência proporcional à sua presença no emprego formal, as mulheres precisariam de um acréscimo coletivo de R$ 95,5 bilhões em sua renda, conforme estimativas do Ministério do Trabalho. Um valor colossal que dimensiona a profundidade do déficit de equidade.
Em um ponto positivo, o estudo também registra um crescimento expressivo na inserção de mulheres negras (pretas e pardas) no mercado formal. O número de trabalhadoras deste grupo saltou de 3,2 milhões para 4,2 milhões, um aumento notável de 29% no período. Este avanço, embora significativo, não elimina as lacunas de remuneração já mencionadas.
Houve também um aumento no número de empresas que contam com pelo menos 10% de mulheres negras em seus quadros. O relatório detalha ainda a evolução nas políticas internas das empresas, com a ampliação de medidas focadas na equidade de gênero. Iniciativas como jornadas flexíveis, auxílio-creche, licenças-maternidade e paternidade estendidas, e a implementação de planos de carreira com metas de produtividade, demonstram um esforço em direção a um ambiente mais inclusivo.
Apesar desses esforços e avanços em inclusão, os dados do relatório reforçam inequivocamente que a desigualdade salarial de gênero persiste como um desafio estrutural profundo no País. A crescente presença feminina no mercado de trabalho, por si só, não tem sido suficiente para assegurar uma remuneração equivalente, o que sublinha a urgência de políticas públicas mais eficazes, fiscalização rigorosa e uma mudança cultural para valorizar o trabalho de cada indivíduo igualmente.
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