DÍVIDAS REnegociadas

Desenrola Brasil já renegocia R$ 10 bilhões em dívidas e beneficia mais de um milhão de CPFs

Ministro da Fazenda, Dario Durigan, em evento sobre o programa Desenrola Brasil.
O programa Desenrola Brasil já renegociou R$ 10 bilhões em dívidas.

Programa atingiu a marca de R$ 10 bilhões em dívidas renegociadas e mais de um milhão de brasileiros impactados. Novas etapas e formas de pagamento estão em discussão.

O programa Desenrola Brasil atingiu a marca de R$ 10 bilhões em dívidas renegociadas desde o início de sua operação. O balanço foi apresentado nesta sexta-feira, 22/05/2026, pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e pelo secretário-executivo da pasta, Rogério Ceron. De acordo com os dados divulgados pelo Ministério da Fazenda, mais de um milhão de operações de renegociação já foram concluídas em todo o país, impactando diretamente a vida financeira de milhares de famílias brasileiras.

“Ultrapassamos a marca de mais de um milhão de CPFs beneficiados com o programa”, afirmou Durigan. Segundo o ministro, os resultados iniciais superam as expectativas e indicam que a iniciativa, prevista para durar 90 dias, terá um “grande impacto nas famílias brasileiras” ao promover alívio financeiro.

Ministro da Fazenda, Dario Durigan, em evento sobre o programa Desenrola Brasil.
O programa Desenrola Brasil já renegociou R$ 10 bilhões em dívidas.

Até 14 de maio de 2026, foram registradas 449 mil operações quitadas à vista. Nessas renegociações, o desconto médio aplicado foi de aproximadamente 85%. As dívidas originais somavam R$ 1,06 bilhão, mas os consumidores pagaram efetivamente R$ 154,2 milhões, demonstrando o expressivo alívio proporcionado.

Outras 685,5 mil operações foram refinanciadas com a garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO). Considerando os contratos formalizados até o último dia 20, as dívidas originais, que atingiam cerca de R$ 9 bilhões, foram renegociadas para R$ 1,36 bilhão, também com uma redução média próxima de 85%.

O Ministério da Fazenda anunciou ainda uma nova facilidade: a partir da próxima semana, será permitido utilizar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar débitos renegociados no programa Desenrola. O saque poderá chegar a R$ 1 mil ou a 20% do saldo disponível na conta vinculada, valendo o maior valor. Essa medida visa ampliar o acesso à regularização de pendências financeiras.

Durigan também confirmou que o governo está planejando uma nova etapa do programa, focada em consumidores adimplentes, mas que enfrentam um elevado comprometimento financeiro com bancos. Segundo o ministro, o lançamento dessa nova fase deve ocorrer ainda em junho de 2026, antes das restrições impostas pelo calendário eleitoral.

“Está sendo desenhado aqui no Ministério da Fazenda, com a minha coordenação e do secretário Ceron. Muito em breve vamos trazer mais informações sobre isso”, afirmou Durigan. “Provavelmente nas próximas semanas, ainda no mês de junho.” A proposta em estudo prevê utilizar recursos remanescentes dos aportes feitos ao FGO na primeira fase do programa para viabilizar a renegociação de dívidas bancárias de consumidores considerados em dia com seus pagamentos, mas pressionados pelo endividamento.

Em paralelo, na área fiscal, Durigan informou em entrevista à CNN Brasil que o governo federal anunciará nesta sexta-feira, 22/05/2026, um aumento no bloqueio de gastos dos ministérios. A medida tem como objetivo adequar as despesas ao limite previsto para este ano. “A gente vai caminhar com aumento de bloqueio, portanto é o governo cortando na própria carne”, declarou o ministro.

O ministro ressaltou que a iniciativa não se trata de um contingenciamento por frustração de receitas, mas sim de um bloqueio decorrente do crescimento das despesas obrigatórias. Ele assegurou que a arrecadação federal permanece em linha com o previsto na programação orçamentária. Dados da Receita Federal indicam um crescimento de 264% na arrecadação com exploração de petróleo e gás natural no primeiro quadrimestre de 2026, atingindo R$ 40,2 bilhões, ante R$ 11 bilhões em 2025. Esses recursos adicionais devem auxiliar na compensação dos subsídios aos combustíveis.

Para 2026, a meta fiscal estabelecida pela equipe econômica prevê um superávit primário equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), estimado em R$ 34,3 bilhões. Considerando as deduções legais, o governo projeta um resultado positivo de R$ 3,5 bilhões.

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