MERCADO CHINÊS FRÁGIL
Desemprego na China permanece elevado apesar de leve queda em abril; taxa de jovens preocupa
A taxa de desemprego entre jovens de 25 a 29 anos caiu para 7,4%, mas segue perto de picos históricos. Especialistas pedem foco na demanda interna.
O desemprego na China manteve-se em patamares alarmantes em abril de 2026, apesar de um recuo pontual. Dados divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas da China na quarta-feira, 21 de maio de 2026, revelam que a taxa geral de desemprego urbano diminuiu de 5,3% para 5,2% no período, mas os números permanecem próximos aos mais altos níveis desde a implementação do novo sistema de divulgação de estatísticas em 2024, evidenciando a persistente fragilidade do mercado de trabalho.
A taxa de desemprego entre trabalhadores de 25 a 29 anos, excluindo estudantes, apresentou uma leve melhora ao cair de 7,7% em março para 7,4% em abril. Contudo, essa faixa etária, crucial para a economia, ainda enfrenta um cenário de insegurança, com o índice se mantendo historicamente elevado. Para os trabalhadores de 30 a 59 anos, o índice recuou de 4,3% para 4,2%. O desemprego entre jovens de 16 a 24 anos, também excluindo estudantes, apresentou uma ligeira queda, passando de 16,9% para 16,3%.
Yu Xiangrong, economista-chefe para China do Citigroup, aponta que o crescimento econômico chinês, impulsionado pela demanda externa, não se traduz diretamente em geração de empregos. Ele sugere que investimentos em setores de ponta, como inteligência artificial, podem ter um impacto limitado na criação de vagas, reforçando a necessidade de um olhar atento para as consequências sociais dessas transformações.
Diante deste cenário, Xiangrong defende uma reorientação das políticas públicas. Ele argumenta que o governo chinês deve priorizar o estímulo à demanda doméstica e o bem-estar das famílias. Essa mudança de foco, segundo o economista, seria mais eficaz para garantir a estabilidade social e o desenvolvimento sustentável do que a mera perseguição de metas de crescimento econômico. A decisão sobre a condução da política econômica e suas prioridades recai sobre os órgãos de planejamento e o governo chinês.

Este texto foi publicado originalmente pela Agência Caixin Global, em 21 de maio de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.
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