DENGUE ATACA FORTEMENTE

Dengue avança no Tocantins com alta incidência e seis mortes

Imagem ilustrativa de mosquitos Aedes aegypti.
Foto: reprodução/TV Globo

Tocantins registra salto expressivo em casos e óbitos, enquanto Goiás também enfrenta surto da doença. Especialistas alertam para circulação de diferentes sorotipos do vírus.

O Tocantins e Goiás enfrentam um surto de dengue, com o primeiro estado apresentando uma das maiores incidências do país. Até maio de 2026, o Tocantins já registrou mais de 15 mil casos da doença, um aumento significativo em relação aos 1.500 casos do mesmo período em 2025, e contabiliza seis mortes. A situação acende um alerta para a saúde pública, uma vez que a doença, em sua forma grave, impacta diretamente a dignidade e a vida dos cidadãos.

Um exemplo da gravidade é o mototaxista Roberto, morador de Araguaína (TO). Ele procurou atendimento médico com sintomas como dores no corpo, febre e mal-estar, sendo diagnosticado com dengue grave e hemorragia. Roberto é uma das seis vítimas da doença no estado, evidenciando os efeitos devastadores que a dengue pode ter na vida das pessoas e de suas famílias.

Em contramão à tendência nacional de redução de notificações, o Tocantins viu seus registros de dengue dispararem. Enquanto o Brasil diminuiu os casos de mais de um milhão para pouco mais de 300 mil entre janeiro e maio, o estado tocantinense saltou de 1.500 para mais de 15 mil casos e seis óbitos. Essa escalada de contágios exige atenção especial e medidas eficazes de controle.

Eder Gatti, diretor de imunização do Ministério da Saúde, aponta a circulação simultânea de diferentes tipos do vírus da dengue como um dos fatores que explicam o avanço dos casos graves. "A gente encontra alguns municípios com uma circulação tardia do vírus e, às vezes, até diferentes tipos de vírus circulando ao mesmo tempo. Por isso essa é uma região que necessita de medidas adicionais", explicou. Essa complexidade viral pode agravar o quadro dos pacientes e dificultar o manejo da doença.

Diante do cenário preocupante, o Ministério da Saúde recomendou um mutirão de vacinação, ampliando a faixa etária para pessoas de 15 a 59 anos nos municípios mais afetados. O prazo inicial, que terminaria em 2 de maio, foi estendido devido à baixa procura. Em Araguaína, que concentra cerca de 5 mil casos e cinco das seis mortes no estado, apenas 33% do público-alvo aderiu à vacinação no período regular, demonstrando a necessidade de intensificar as campanhas de conscientização sobre a importância da imunização.

Goiás também registra uma taxa de incidência de dengue superior à nacional, com mais de 1.000 casos para cada 100 mil habitantes, somando 80 mil notificações e 33 mortes. Quase metade dos casos tocantinenses estão concentrados em 17 cidades. Gatti ressalta que a vacinação de uma grande parcela da população, como 50% a 60% ou mais, já começa a gerar efeitos indiretos na redução da transmissão e da gravidade da doença.

A administradora Jaqueline Corrêa Alves, que enfrentou a forma grave da doença, faz um apelo enfático: "Cuide da sua casa, da sua rua, do seu quintal, cuide dos seus vizinhos. Não perca tempo, porque isso é muito sério". Seu depoimento reforça a importância da ação individual e coletiva na prevenção, além da necessidade de medidas governamentais eficazes.

As secretarias de saúde de Goiás e do Tocantins informaram que estão implementando mutirões e campanhas de conscientização nos municípios mais atingidos. Os órgãos estaduais também destacaram investimentos em tecnologia e na capacitação de equipes para combater o avanço da dengue e proteger a saúde da população.

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