CYBERGOLPES EM ALTA
Datafolha e Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam 26 milhões de vítimas
Pesquisa aponta impacto financeiro e emocional. Veja como se proteger de fraudes online e via celular.
A vulnerabilidade digital atinge milhões de brasileiros anualmente, conforme revelado por um levantamento alarmante. Uma pesquisa Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e divulgada no início de maio, aponta que golpes financeiros online ou por celular impactaram cerca de 26,3 milhões de pessoas nos últimos doze meses. Esse cenário preocupante reforça a necessidade urgente de usuários e consumidores redobrarem os cuidados ao realizar transações e compras na internet, buscando proteger sua dignidade financeira e a segurança de seus dados em um ambiente digital cada vez mais desafiador.
Priscila Couto, líder de Confiabilidade e Segurança do Google na América Latina, enfatiza que existem estratégias eficazes para se proteger dos golpes antes mesmo de finalizar qualquer compra no ambiente digital, transformando a navegação em um ato de vigilância ativa.
Entre as medidas cruciais, Couto destaca a importância da escolha segura do meio de pagamento e da proteção do cartão. No caso do Pix, criado para facilitar transações, o Banco Central já dispõe do Mecanismo Especial de Devolução (MED), ferramenta fundamental em situações de fraude.
Dessa forma, se um usuário realiza uma compra via Pix e identifica que o pagamento foi destinado a uma loja falsa, ele pode entrar em contato imediatamente com seu banco – seja pelo aplicativo ou canais de atendimento – para contestar a transação e solicitar o bloqueio cautelar do valor. Essa agilidade é decisiva para minimizar o prejuízo.
A especialista, contudo, ressalta que o cartão de crédito permanece uma opção confiável para compras online. Em caso de fraude, o consumidor tem o direito de acionar a administradora do banco para solicitar o cancelamento da compra, o que oferece uma camada adicional de segurança e tranquilidade.
Priscila também recomenda o uso de aplicativos de carteira digital, como a Carteira do Google. Esses apps empregam a "tokenização", tecnologia que gera um código numérico temporário para cada transação. Assim, mesmo que um site seja comprometido por hackers, o número real do cartão do usuário permanece seguro e blindado.
Outra medida preventiva vital é a verificação atenta da tela e das informações do site de compra. A especialista aponta para três elementos visuais essenciais:
Verificação da URL (endereço do site): É imprescindível analisar a URL letra por letra. Golpistas frequentemente alteram caracteres semelhantes, como um "L" minúsculo por um "i" maiúsculo, para enganar o olhar menos atento.
Ícone do cadeado (HTTPS): A ausência do pequeno cadeado de segurança na barra de endereços, que indica o uso do protocolo HTTPS, é um forte sinal de que o site não é seguro e a conexão não está criptografada.
CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica): Lojas legítimas exibem o nome da empresa e o número do CNPJ, geralmente no rodapé da página. Para maior certeza, o usuário pode consultar o CNPJ no site da Receita Federal e confirmar a existência legal da empresa.
Couto alerta ainda sobre a perigosa isca de preços excessivamente baixos. É fundamental desconfiar de promoções com valores muito abaixo do mercado ou do que é anunciado nos canais oficiais da marca, pois essa tática é comumente utilizada por golpistas para atrair vítimas.
O perigo dos golpes não se restringe apenas aos sites; ele também se esconde em mensagens de celular, como no WhatsApp e SMS. Usuários podem receber links enganosos que levam a páginas falsas, cuidadosamente elaboradas por criminosos para roubar senhas e dados pessoais.
Para os usuários de smartphones Android, há uma camada extra de proteção: o aplicativo Mensagens do Google utiliza inteligência artificial para detectar spam e emitir alertas automáticos, auxiliando na identificação de mensagens fraudulentas.
Como regra geral de segurança, a recomendação primordial é que os consumidores digitem diretamente o endereço da empresa no navegador, evitando clicar em links suspeitos que surgem em buscadores, redes sociais ou mensagens. A prevenção é a melhor defesa contra a perda financeira e o desgaste emocional que os golpes acarretam.
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