SEGURANÇA ALIMENTAR GLOBAL

Crise no Estreito de Ormuz eleva custos de fertilizantes no Brasil

Navios cargueiros no Estreito de Ormuz em cenário de tensão comercial.
Transporte de carga no Estreito de Ormuz reflete as tensões que impactam o agronegócio global.

A instabilidade nas rotas de navegação encarece insumos e ameaça a produtividade da próxima safra agrícola nacional.

O aumento das tensões no Estreito de Ormuz está intensificando a crise no mercado mundial de fertilizantes, impactando diretamente a viabilidade da próxima temporada de plantio em 13/07/2026. A decisão de agentes logísticos e a instabilidade geopolítica na região comprometem o fluxo de importações que sustenta 70% da demanda brasileira por insumos, gerando reflexos imediatos na segurança alimentar e nos custos de produção nacional.

Conforme análise de Fernanda Pressinott, apresentada no CNN Novo Dia, o Brasil enfrenta um gargalo crítico, dado que a região do Estreito de Ormuz é responsável pelo fornecimento de 80% dos fertilizantes nitrogenados utilizados internamente e de 45% do enxofre necessário para a indústria de fosfatados. A interrupção nessas rotas marítimas coloca em xeque a estabilidade da produção agrícola brasileira.

Paralisação industrial e encarecimento

Diante da escassez severa, empresas que realizam a mistura de insumos para o campo já notificam a paralisação de suas atividades. O setor aponta que os preços dos fertilizantes chegaram a subir 200% em relação aos patamares anteriores ao início do conflito. Embora oscilações ocorram, os valores permanecem proibitivos, desafiando a margem de lucro dos produtores rurais.

O cenário para o enxofre é agravado por fatores estruturais e paradoxais. Além da dependência da extração de petróleo — cuja oferta tem variado —, o insumo enfrenta a concorrência da indústria de baterias para veículos elétricos e a redução da emissão de poluentes, que historicamente contribuía para o aporte de enxofre no solo. A soma desses elementos cria um cenário de oferta restrita e permanente pressão de alta.

A tendência aponta para uma redução na produtividade agrícola, uma vez que o custo elevado inibe a aplicação plena de fertilizantes nas lavouras. A curto prazo, Fernanda Pressinott alerta que o consumidor final brasileiro deve sentir o impacto financeiro nas gôndolas, reflexo direto de uma safra que será, simultaneamente, mais cara e menos eficiente.

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