TENSÃO NO ORIENTE MÉDIO

Irã critica plano de Trump de usar ativos do país para indenizar navios

Ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, discursando.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, em reação à ameaça de Trump. Foto: Reprodução / X

O ministro Seyed Abbas Araghchi classificou a medida como um precedente incendiário. A decisão foi anunciada após ameaças americanas sobre ataques no Estreito de Ormuz.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, repudiou publicamente a intenção do governo americano de confiscar recursos iranianos para custear indenizações por danos a navios e cargas. A declaração ocorreu nesta quinta-feira (23), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinar que ativos do país sob controle de Washington seriam utilizados como forma de ressarcimento por incidentes no transporte marítimo internacional.

Ao classificar o plano como um "precedente incendiário", Araghchi alertou para a instabilidade global que a medida pode desencadear. Para o governo iraniano, a normalização da apropriação de fundos estrangeiros ameaça a segurança jurídica dos bens de qualquer nação, criando um cenário de incerteza diplomática que afeta diretamente a soberania dos Estados.

A decisão, que carece de detalhes sobre o mecanismo jurídico ou quais ativos seriam especificamente atingidos, eleva a temperatura das relações entre os países. A ameaça de Washington surgiu em meio a um aumento nas tensões sobre o controle do Estreito de Ormuz. Um dia antes, na quarta-feira (22), o governo americano advertiu que responderia com ataques a infraestruturas iranianas, como pontes e usinas, a qualquer ação hostil contra embarcações na região.

Em resposta à postura de Trump, Teerã rejeitou formalmente uma proposta de cessar-fogo apresentada pelo primeiro-ministro do Iraque, conforme noticiado pelo The New York Times. O governo da República Islâmica reiterou que não busca acordos temporários que ignorem a questão estratégica do Estreito de Ormuz. A Guarda Revolucionária do Irã também reforçou que qualquer agressão a suas instalações resultaria em represálias contra a infraestrutura energética de aliados dos EUA no Oriente Médio.

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