GUERRA CONTRA DROGAS

A rotina do capitão Bustamante no combate ao narcoterrorismo no Equador

Policiais em operação de combate às gangues no Equador.
Equipe da BBC acompanha trabalho da polícia no Equador.

Agentes enfrentam corrupção interna e o poder financeiro das gangues em uma batalha diária por sobrevivência e controle territorial.

O combate ao tráfico no Equador transformou-se em uma operação de risco extremo, onde policiais precisam enfrentar não apenas criminosos, mas também a infiltração de redes de corrupção dentro do próprio Estado. Esta realidade foi observada durante operações de campo em Durán, onde a rotina dos agentes é marcada pela desconfiança constante.

O capitão Bustamante, oficial de 34 anos com formação em forças especiais, lidera uma equipe de confiança em um cenário onde muitos policiais, conforme relatos da corporação, aceitam subornos de facções como os Los Águilas. A atuação dessas unidades é essencial para manter o controle mínimo em áreas onde o medo silencia a população e o domínio das gangues, financiadas pelo tráfico internacional, supera os recursos disponíveis para a segurança pública.

A complexidade do problema é vasta: cerca de 70% da cocaína destinada à Europa e aos EUA transita pelo Equador, aproveitando-se de fronteiras vulneráveis e um longo litoral no Pacífico. Embora o presidente Daniel Noboa tenha intensificado a repressão nos últimos dois anos, especialistas apontam que a desarticulação das lideranças criminosas gerou uma fragmentação ainda maior dos grupos, complicando o cenário de segurança.

Além do desafio tático nas ruas, a impunidade é citada como o principal entrave. O coronel Santiago Gavilanez, vice-comandante em Durán, aponta falhas no Judiciário que permitem a libertação frequente de suspeitos presos em flagrante. Relatos de suborno são comuns, com criminosos financiando alertas sobre operações policiais para evitar apreensões, revelando um sistema infiltrado que perpetua a violência e deixa um rastro de vítimas e famílias desestruturadas.

Apesar do esgotamento físico e da ameaça latente contra a vida dos agentes, Bustamante mantém a convicção de que seu trabalho é vital. A queda na taxa de homicídios em Durán nos primeiros seis meses do ano é apontada pela polícia como um sinal de progresso, embora o caminho para retomar o controle total sobre o território permaneça como um desafio de longo prazo.

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