MUDANÇA NO REGIME

Rosa María Payá aponta momento inédito para fim da ditadura em Cuba

Retrato de Rosa María Payá, líder da diáspora cubana e defensora de mudanças políticas na ilha.
Rosa María Payá, ativista e membro da CIDH, busca articulação para transição democrática em Cuba.

Líder da diáspora cubana defende pressão internacional e plano de transição democrática para superar crise humanitária na ilha.

Rosa María Payá, 37 anos, emerge como uma figura central na articulação política da diáspora cubana diante do aprofundamento da crise humanitária que assola a ilha. Filha do histórico opositor Oswaldo Payá Sardiñas, a ativista, que vive em Miami desde 2013, defende que a atual conjuntura oferece, pela primeira vez em sete décadas, condições reais para uma transição democrática em Cuba.

Atualmente integrante da CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos), Rosa María sustenta que a responsabilidade pela escassez de medicamentos, alimentos e energia recai sobre o regime. Segundo a ativista, a estrutura empresarial do Estado, gerida por militares através da Gaesa (Grupo de Administração Empresarial S.A.), detém bilhões de dólares enquanto a população enfrenta privações severas.

A estratégia de mudança defendida pelo grupo de oposição articula três pilares fundamentais: a demanda popular por liberdade, a pressão internacional coordenada e a consolidação de uma alternativa democrática. Em março, diversas frentes da diáspora assinaram um acordo de libertação que estabelece um cronograma de transição dividido entre estabilização, reconstrução e a realização de eleições livres, visando devolver a soberania ao povo cubano.

Em relação ao papel do Brasil, a líder da diáspora cobra coerência do governo de Lula. Ela destaca que o país possui um histórico de relações econômicas com o regime, como o financiamento do porto de Mariel, e sublinha que, para restabelecer laços comerciais e diplomáticos benéficos, o Estado brasileiro deve apoiar a transição democrática. "A única coisa que os cubanos precisam para prosperar é serem livres", afirma.

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