IMPASSE DIPLOMÁTICO AGRAVADO

Crise diplomática entre Brasil e EUA escala com revogação de visto de embaixadora

Daniel Perez, indicado como embaixador dos EUA no Brasil.
Daniel Perez tornou-se o centro do impasse diplomático entre Washington e Brasília. (Foto: Reprodução/Senado dos EUA)

Washington justifica a medida como retaliação pela demora no aval ao indicado para a embaixada em Brasília e pelo bloqueio de vistos a enviados americanos.

A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos atingiu um novo patamar de tensão nesta terça-feira (4), quando o governo Donald Trump anunciou a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida foi classificada pela Casa Branca como um ato de tratamento recíproco, evidenciando o desgaste nas relações bilaterais.

Segundo o Departamento de Estado, a decisão é uma resposta direta à morosidade do governo brasileiro em conceder o agrément — a aprovação diplomática necessária — ao indicado para a embaixada dos EUA em Brasília, Daniel Perez. O impasse ocorre apenas dez dias após o Itamaraty negar vistos a dois enviados americanos, sob a justificativa de evitar interferências em assuntos internos brasileiros.

O cenário de instabilidade, que prejudica não apenas as relações institucionais, mas também a previsibilidade necessária para o comércio e a cooperação internacional, tem raízes em uma sequência de atritos acumulados ao longo de 2026. Desde a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos EUA a pedido de Flávio Bolsonaro, até as recentes tarifas de 25% impostas por Washington sobre produtos brasileiros, o distanciamento entre as gestões Lula e Trump tem gerado impactos diretos na soberania e na economia dos dois países.

A situação de Maria Luiza Ribeiro Viotti permanece indefinida no plano imediato, com o governo americano sinalizando que a medida poderá ser revista caso o Brasil autorize a nomeação de Daniel Perez. O caso representa o ponto mais crítico de um relacionamento que, em pouco mais de um ano, migrou de promessas de cooperação para um estado de hostilidade diplomática aberta.

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