PROTESTO NO ÁRTICO

Quatro brasileiros seguem detidos na Islândia após protesto contra a caça às baleias

Embarcação em alto mar durante operação de ativistas na Islândia.
Navio Bandero, utilizado em missão da Captain Paul Watson Foundation, foi abordado pela Guarda Costeira islandesa.

Tripulantes brasileiros do navio Bandero foram abordados pela Guarda Costeira durante missão da Captain Paul Watson Foundation. Famílias relatam dificuldades de comunicação.

Quatro brasileiros permanecem sob custódia das autoridades da Islândia após uma intervenção da Guarda Costeira do país contra o navio Bandero, embarcação que realizava um protesto contra a caça comercial de baleias. A abordagem ocorreu na última quinta-feira (30), enquanto a tripulação buscava interceptar atividades de caça a baleias-fin, e culminou na detenção dos envolvidos na última sexta-feira (31).

A operação, que utilizou helicópteros e drones para assumir o controle do navio e conduzi-lo até Reykjavík, envolve tripulantes de 11 países. Entre os brasileiros detidos estão Lucas Barbosa, de Craíbas (AL); Vitor Young, de Santos (SP); Victor Calixto, de Ilhabela (SP); e Rui Amorim, de Ribeirão Pires (SP). A detenção representa um momento de angústia para os familiares, que ficaram 24 horas sem qualquer contato direto com os brasileiros logo após a apreensão da embarcação.

A Captain Paul Watson Foundation, responsável pela Operação 86, contesta a legalidade da medida, alegando que a abordagem ocorreu fora do limite de 12 milhas náuticas da costa islandesa. A entidade também denunciou restrições ao acesso à defesa jurídica, apreensão de bens pessoais sem mandado e a exigência de senhas de aparelhos eletrônicos para permitir ligações telefônicas.

Diante do cenário, a Sea Shepherd Brasil e a Captain Paul Watson Foundation solicitaram formalmente apoio ao Governo Brasileiro e a órgãos como o Itamaraty, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. O objetivo é assegurar a assistência consular necessária para garantir os direitos dos cidadãos detidos.

A espécie alvo da caça, a Balaenoptera physalus, está listada pela União Internacional para a Conservação da Natureza como em perigo de extinção. Segundo a bióloga marinha Larissa Uema, a proteção da baleia-fin é fundamental para o equilíbrio oceânico, visto que o animal atua como um importante agente de regulação climática e fertilização marinha.

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