DEMANDA INTERNACIONAL ALTA

Cota de carne bovina brasileira na China atinge limite efetivo de exportação

Contêineres de carga em porto brasileiro preparados para exportação.
Exportações brasileiras de carne bovina operam em ritmo acelerado para atender a demanda chinesa.

Dados da GACC revelam utilização de quase 79% da cota, mas embarques monitorados pela Safras & Mercado confirmam exaustão do volume anual disponível.

A cota anual para a exportação de carne bovina brasileira destinada ao mercado chinês atingiu seu limite operacional de ocupação, conforme estimativas da consultoria Safras & Mercado. O cenário foi consolidado nesta segunda-feira, 20/07/2026, com a divulgação dos dados oficiais pela GACC (Administração Geral das Alfândegas da China).

Embora os registros alfandegários da China apontem uma internalização de 78,87% do volume total de 1,106 milhão de toneladas até o fim de junho, a realidade logística indica que a cota está, na prática, esgotada. A discrepância entre os números chineses e brasileiros ocorre devido ao intervalo natural entre o embarque da mercadoria no Brasil e o seu efetivo desembaraço no território asiático.

Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, explica que o volume de cargas já embarcadas e atualmente em trânsito eleva a ocupação real para 100,06%. Segundo o especialista, o sistema deve emitir, nos próximos dias, o alerta oficial de que 80% da quota foi formalmente preenchida, um marco esperado pelo setor exportador.

A intensa movimentação comercial brasileira contrasta com o desempenho de outros players globais. Enquanto a Austrália já consumiu 96,93% de sua cota, nações como Nova Zelândia, Estados Unidos e Uruguai apresentam índices significativamente inferiores. Para Iglesias, é improvável que esses países alcancem a utilização plena de suas respectivas participações no mercado chinês este ano.

O foco do setor agora se volta para os números de julho. O crescimento das exportações para mercados como Hong Kong e Argentina levanta questionamentos sobre a possibilidade de envios indiretos, uma estratégia que o mercado observa atentamente para entender como o fluxo comercial se readequará após a saturação da cota direta para a China.

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