IMPACTO FINANCEIRO
Copa 2026 impulsiona consumo, mas acende alerta de dívidas
Levantamento revela que 99,2 milhões de brasileiros pretendem gastar na Copa, com Pix sendo preferência e 41% de apostadores.
A Copa do Mundo de 2026 promete aquecer o varejo e impulsionar o consumo de aproximadamente 99,2 milhões de brasileiros, revelou uma pesquisa divulgada nesta terça-feira, 19 de maio de 2026. O levantamento da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise, projeta um significativo aquecimento da economia nacional, embora acenda um alerta crucial sobre o avanço das apostas esportivas e o risco de endividamento para milhões de famílias. Este cenário duplo destaca a paixão nacional pelo futebol como motor econômico e, ao mesmo tempo, um vetor de vulnerabilidade financeira.
Mais da metade dos brasileiros – 60% dos entrevistados – declarou a intenção de gastar durante a competição. Os produtos mais procurados refletem a tradição de reunir amigos e familiares para assistir aos jogos: bebidas não alcoólicas (68%), petiscos (62%), carnes para churrasco (60%) e cerveja (59%). Itens de vestuário e de torcida, como camisas da seleção brasileira, também estão entre os favoritos para a compra, evidenciando o fervor pela competição.
O estudo reitera o forte apelo coletivo da Copa do Mundo, com 97% dos participantes planejando assistir aos jogos acompanhados, predominantemente em casa, com familiares e amigos. Contudo, bares e restaurantes também preveem um aumento no movimento, transformando esses espaços em centros de celebração e convivência durante o torneio.
A preferência de compra ainda se concentra no varejo físico, citado por 89% dos consumidores, com destaque para supermercados e lojas de bairro. Por outro lado, as plataformas digitais ganham espaço, e 67% dos entrevistados indicam que farão compras online, especialmente via aplicativos de entrega, refletindo a comodidade e agilidade que o ambiente digital oferece.
Gasto médio e a armadilha das apostas
O gasto médio estimado por consumidor para o período da Copa do Mundo é de R$ 619, podendo alcançar R$ 784 entre as classes A e B. O Pix se consolida como a forma de pagamento preferencial, eleito por 57% dos participantes da pesquisa pela sua praticidade e rapidez.
No entanto, a pesquisa da CNDL, SPC Brasil e Offerwise levanta uma preocupação séria: o expressivo crescimento das apostas esportivas. Cerca de 41% dos entrevistados afirmaram que pretendem apostar em plataformas de "bets" durante o torneio. O mais alarmante é que, entre os consumidores que planejam gastar na Copa, 61% já possuem dívidas em atraso. Dentre os que se inclinam às apostas, 74% admitem ver nelas uma forma de tentar quitar débitos. Essa realidade expõe a vulnerabilidade de muitos, que, impulsionados pela emoção do esporte e pela esperança de uma solução rápida, podem se aprofundar ainda mais em problemas financeiros.
Para José César da Costa, presidente da CNDL, a Copa do Mundo de 2026 representa um "segundo Natal" para o comércio brasileiro, com potencial para impulsionar significativamente as vendas no varejo e no setor de serviços, gerando movimento e oportunidades. Contudo, a análise detalhada dos dados reforça a necessidade de conscientização sobre o consumo responsável e os perigos do endividamento, especialmente no contexto das apostas.
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