MERCADO DE COMBUSTÍVEIS

Consumo de etanol impulsiona mercado de combustíveis no segundo semestre

Bombas de combustível em posto de abastecimento brasileiro.
O aumento na demanda por etanol reflete a maior competitividade do biocombustível nas bombas.

Projeção da Argus aponta crescimento na demanda por etanol hidratado, favorecido pela competitividade de preços e pela recente mudança na mistura obrigatória.

O consumo de combustíveis do ciclo Otto, que engloba a gasolina C e o etanol hidratado, deve apresentar uma trajetória de crescimento acentuado ao longo do segundo semestre de 2026. A tendência foi consolidada após a análise de um levantamento realizado pela consultoria Argus junto às principais distribuidoras do país, publicado nesta segunda-feira, 20/07/2026, indicando que a retomada da atividade econômica e a atratividade financeira dos biocombustíveis são os motores dessa expansão.

De acordo com os dados, a mediana das estimativas projeta que o consumo conjunto alcance 5,6 bilhões de litros tanto em julho quanto em agosto de 2026. Se concretizado, o mercado brasileiro registrará um avanço de 5,6% em julho e 4,5% em agosto, em comparação aos volumes observados em 2025, conforme registros da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Maria Albuquerque, especialista em precificação na Argus, pontua que o cenário é sustentado pela melhora na renda das famílias e pelo aquecimento do mercado de trabalho. Essa dinâmica permite que a sociedade mantenha maior mobilidade, o que impacta diretamente a rotina de consumo nas bombas e a própria dignidade do trabalhador, que depende de preços mais acessíveis para o transporte diário.

O etanol hidratado desponta como o protagonista do período, com previsão de consumo de 1,7 bilhão de litros mensais em julho e agosto. Este cenário de alta entre 17% e 19% frente a 2025 é explicado pela relação de preços vantajosa: na semana iniciada em 5 de julho de 2026, o custo do etanol representou 61,7% do valor da gasolina, um patamar que amplia o poder de compra do consumidor.

Adicionalmente, um fator determinante para essa mudança estrutural foi a decisão do governo federal em 14 de julho de 2026, que elevou a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%. A medida, embora ainda não integralmente absorvida pelas projeções iniciais, deverá pressionar o aumento do uso do biocombustível nos próximos meses.

No setor de diesel, apesar de uma projeção de queda pontual em julho, o setor estima uma recuperação para agosto, resultando em um crescimento acumulado de 1,1% no bimestre. O desempenho está diretamente ligado à força do PIB nacional e à pujança de setores vitais como logística e agronegócio, essenciais para a economia brasileira.

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