JUSTIÇA TARDA, MAS CHEGA

Condenado pela “Tragédia do Baldo” é preso após mais de 40 anos foragido em Mato Grosso

Foto de Aluísio Farias Batista, homem capturado após mais de 40 anos foragido.
Aluísio Farias Batista, condenado a 21 anos pela "Tragédia do Baldo", foi preso nesta sexta-feira (26) após permanecer foragido por mais de 40 anos.

Aluísio Farias Batista, condenado a 21 anos pela morte de 19 pessoas em Natal, foi capturado no último dia 26 de junho, após fugir da polícia por mais de quatro décadas.

Um homem condenado a 21 anos de prisão pela trágica perda de 19 vidas e 12 feridos graves na chamada “Tragédia do Baldo”, Aluísio Farias Batista, de 69 anos, foi preso nesta sexta-feira, 26 de junho de 2026. Ele estava foragido há mais de quatro décadas e foi localizado em Mato Grosso, onde vivia há anos, em uma ação conjunta das polícias civis do Rio Grande do Norte e do estado de destino. A captura, denominada “Operação Resgate”, foi executada pela Polícia Civil do Rio Grande do Norte (PCRN), com o apoio da Polícia Civil de Mato Grosso (PCMT). A investigação minuciosa permitiu identificar o paradeiro do foragido e efetivar o mandado de prisão definitiva. O incidente que abalou a história de Natal e do carnaval potiguar envolveu o bloco carnavalesco Puxa-Saco e ocorreu na madrugada de 25 de fevereiro de 1984. A tragédia deixou um rastro de dor, com 19 mortos e 12 pessoas gravemente feridas. Conforme as investigações realizadas à época, Aluísio conduzia um ônibus quando perdeu o controle do veículo na região conhecida como Baldo, atingindo fatalmente integrantes de uma banda de música e foliões que celebravam o carnaval. A “Tragédia do Baldo” foi reconhecida como uma das maiores catástrofes registradas no Rio Grande do Norte. Após o ocorrido, o motorista fugiu e conseguiu permanecer foragido por mais de 40 anos. O acidente com o bloco Puxa-Saco, uma agremiação tradicional da cidade, representou um ponto de inflexão para o carnaval de Natal. A comoção gerada pela tragédia impactou a relação da população com a festa e contribuiu para transformações significativas no cenário carnavalesco da capital potiguar. Mesmo com os esforços para reacender a tradição do carnaval de rua, uma parcela do público passou a preferir as praias como destino durante o período festivo. O episódio também influenciou mudanças no percurso dos desfiles de escolas de samba e marcou um período de declínio na popularidade da festa em Natal. Investigação aponta uso de identidade falsa para ocultar paradeiro A localização do condenado foi impulsionada pela única fotografia disponível dele, datada da época do crime. Durante o processo investigativo, os policiais descobriram informações cruciais, como o falecimento do pai do foragido em Tangará da Serra (MT), em 2021. A análise documental revelou que Aluísio obteve um documento de identidade em Mato Grosso em 1995, utilizando seus dados reais. Contudo, após o falecimento de um indivíduo em Natal em 1996, ele passou a usar os dados do falecido para construir uma nova identidade. A Polícia Civil informou que ainda não é possível determinar com precisão quando o uso do documento falso se iniciou. No entanto, as investigações indicam que, em 2021, ele utilizou essa identidade emprestada para renovar sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e continuar exercendo a profissão de motorista. A confirmação da identidade real do foragido foi realizada por meio do cruzamento de informações cadastrais, análise minuciosa de documentos e comparação facial conduzida pelas equipes policiais. Prisão e cumprimento da pena Ao confirmarem o paradeiro do condenado, os policiais dirigiram-se inicialmente ao local de trabalho dele, mas Aluísio não estava presente. Em seguida, a equipe dirigiu-se à residência do investigado. Ao ser confrontado, ele apresentou inicialmente o nome falso que usava. Somente após ser informado de que os policiais já haviam confirmado sua verdadeira identidade, ele revelou seu nome de batismo. O indivíduo foi levado para os trâmites legais e posteriormente encaminhado ao sistema prisional, onde deverá cumprir a pena definitiva de 21 anos de reclusão em regime fechado. A Polícia Civil ressaltou que a prisão representa o cumprimento de uma decisão judicial e reafirma o compromisso na busca pela responsabilização criminal e pela Justiça para as vítimas e seus familiares, mesmo após décadas do lamentável ocorrido.

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