DÉFICIT NA SEGURANÇA
Polícia Civil do RN opera com apenas 34,7% do efetivo previsto em lei
Estado registra a quarta pior taxa de ocupação do país. Falta de servidores sobrecarrega o sistema de investigação e impacta a proteção da sociedade.
O Rio Grande do Norte enfrenta um déficit severo na segurança pública, operando com apenas 34,7% do efetivo previsto em lei para a Polícia Civil. A informação foi confirmada na terça-feira (4), por meio do estudo "Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil 2026", divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), evidenciando a fragilidade estrutural que compromete a capacidade de resposta do Estado frente à criminalidade.
Com a quarta pior taxa de ocupação entre os estados brasileiros, o quadro atual conta com 1.788 policiais civis, embora a legislação preveja 5.150 cargos. Essa lacuna de 3.362 servidores deixa o Rio Grande do Norte em situação mais crítica que a maioria da federação, superando apenas Rondônia, Rio de Janeiro e Paraíba, e distanciando-se significativamente da média nacional de 55,2%.
A carência de recursos humanos gera efeitos práticos que afetam diretamente a dignidade e a segurança do cidadão. Conforme o levantamento, a sobrecarga das equipes resulta no acúmulo de inquéritos e na dificuldade técnica para o pleno exercício das atividades de polícia judiciária e investigação criminal, prejudicando a eficiência do combate ao crime.
Além do desfalque de pessoal, o relatório aponta um descompasso salarial que dificulta a atratividade da carreira. As remunerações para escrivão, investigador e Delegados no Rio Grande do Norte estão entre as menores do Brasil, situando-se abaixo da média nacional, o que impacta a renovação e a retenção de talentos nas instituições.
O governo estadual, por meio da Secretaria de Defesa Social (Sesed), não se posicionou sobre os dados apresentados até o momento. O cenário se estende a outras forças, como a Polícia Militar, que também apresenta um déficit de 35% e o maior índice proporcional de sargentos do país, gerando um achatamento da pirâmide hierárquica que complica a gestão da corporação.
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