CRISE EM CUBA
Colapso energético: cubanos relatam rotina de sobrevivência em meio a apagões
Sistema elétrico da ilha enfrenta falhas recorrentes e graves, forçando a população a adaptar o cotidiano e lidar com a inflação galopante.
A falta de energia elétrica em Cuba deixou de ser um evento esporádico para se tornar uma constante devastadora na rotina dos habitantes da ilha. O sistema elétrico, debilitado por infraestrutura precária e escassez de combustível, tem imposto desafios extremos à sobrevivência básica dos cidadãos, que lutam para manter atividades fundamentais como conservar alimentos e viabilizar a comunicação.
No mais recente colapso, ocorrido no domingo (2), a ilha enfrentou quase 48 horas de escuridão total, marcando o sexto blecaute generalizado registrado em 2026. A situação é reflexo de uma crise energética que se intensificou nos últimos meses, acumulando 11 apagões nacionais desde o final de 2024. Quando a luz retorna, a normalidade é curta: em muitos dias, o fornecimento é restabelecido por apenas duas horas.
O impacto do isolamento e das sanções
Especialistas e moradores apontam que o cenário é agravado pelas sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, que restringem a entrada de combustível na ilha. Sem insumos para abastecer as centrais termelétricas, o sistema entra em colapso recorrente. Para o jornalista Istaván Ojeda, a falha na rede elétrica gera um isolamento digital profundo, já que a infraestrutura de telecomunicações depende diretamente da eletricidade.
Na ausência de internet, o governo tem recorrido a métodos arcaicos, como o uso de alto-falantes e megafones, para difundir informações. Enquanto isso, famílias dependem de doações de parentes que vivem nos EUA, como painéis solares e baterias, para manter dispositivos minimamente operantes.
Dignidade sob pressão
O impacto humano vai além da falta de luz. Jorge Enrique Rodríguez, repórter do Diário de Cuba, destaca que a inflação forçou um aumento proibitivo no preço de recursos básicos, como o petróleo, que mais que dobrou de valor em um mês. A impossibilidade de conservar alimentos obriga as famílias a realizar compras diárias, sobrecarregando o orçamento doméstico e aumentando a vulnerabilidade de idosos, doentes e mães solteiras.
A saúde mental também sofre o impacto. Relatos colhidos no hospital Calixto García, em Havana, revelam um aumento expressivo no esgotamento psicológico da população. A incerteza constante e a rotina de adaptação forçada deixaram um rastro de frustração, descrito por muitos como um estado de caos permanente, que atinge desde estudantes até trabalhadores rurais, como Fidel Maqueira, que se vê obrigado a vigiar sua propriedade durante a noite devido à falta de segurança gerada pelo breu.
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