DIREITOS E DIGNIDADE

Lei Maria da Penha completa 20 anos como escudo essencial na proteção feminina

Símbolos de justiça e luta pelos direitos das mulheres, em alusão à Lei Maria da Penha.
A Lei Maria da Penha segue como principal mecanismo de proteção e enfrentamento à violência contra a mulher no Brasil.

Sancionada em 7 de agosto de 2006, a legislação revolucionou o combate à violência doméstica, consolidando um marco jurídico que protege vidas apesar dos desafios estruturais persistentes.

A Lei nº 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha, completou 20 anos nesta segunda-feira (7 de agosto de 2026), reafirmando seu papel como um pilar fundamental na defesa dos direitos das mulheres no Brasil. A legislação, sancionada em 7 de agosto de 2006, transformou radicalmente a maneira como o Estado pune agressores e acolhe vítimas de violência doméstica e familiar, garantindo mecanismos de proteção que antes eram inexistentes.

A origem na busca por justiça

A norma nasceu a partir da luta de Maria da Penha Maia Fernandes, farmacêutica cearense que sobreviveu a duas tentativas de feminicídio em 1983. Após levar um tiro nas costas que a deixou paraplégica e sofrer uma tentativa de eletrocussão, ela enfrentou a omissão da Justiça brasileira por mais de 15 anos. Com apoio de organizações, ela denunciou o Brasil à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos). Em 2001, o Estado brasileiro foi condenado internacionalmente, sendo compelido a reformular suas leis de proteção.

O rompimento com o silêncio

Antes da vigência da Lei Maria da Penha, a violência doméstica era tratada como crime de menor potencial ofensivo. A procuradora de Justiça Criminal do MPSP (Ministério Público de São Paulo), Nathalie Malveiro, explica que a norma desconstruiu o estigma de que a violência doméstica era um problema privado. Entre os maiores legados, destacam-se as MPUs (Medidas Protetivas de Urgência), essenciais para manter agressores distantes e evitar a escalada da violência.

Desafios e a busca por segurança

Apesar da robustez jurídica, os índices de letalidade permanecem alarmantes. Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o ano de 2025 registrou 1.571 vítimas de feminicídio. Gabriela Manssur, advogada especialista em Direitos das Mulheres e presidente do Instituto Justiça de Saia, aponta que o enfrentamento exige um tripé fundamental: independência financeira, suporte psicológico e uma rede de apoio estruturada, garantindo que a sobrevivente consiga romper definitivamente o ciclo de violência.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário