FUTURO DO TRABALHO

CNI alerta Câmara sobre impacto de fim da escala 6x1; debate esquenta no Congresso

Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, em destaque em um evento oficial.
Presidente da Câmara, Hugo Motta, disse que debate sobre o fim da escala 6x1 será uma das prioridades do ano legislativo de 2026 — Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Indústria projeta custo bilionário e risco de empregos com mudanças na jornada. Comissão Especial para analisar propostas é instalada e relator tem autonomia para construir novo texto.

Nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), unindo forças com 27 federações estaduais, 98 associações setoriais e 741 sindicatos industriais, entregou um contundente manifesto ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). O documento expressa profunda preocupação com o avanço de propostas legislativas que visam acabar com a escala de trabalho 6x1, alertando para impactos severos que podem desestabilizar a economia, inibir investimentos e comprometer a criação de empregos formais no país.

A pauta ganhou velocidade, e a Comissão Especial designada para analisar o tema tem instalação prevista para esta quarta-feira, 29 de abril de 2026. Na mesma terça-feira, 28 de abril, Hugo Motta oficializou os nomes que liderarão o colegiado: o deputado Alencar Santana (PT-SP) assumirá a presidência e o deputado Léo Prates (Republicanos-BA) será o relator.

A CNI, em seu manifesto, reconhece a legitimidade do debate sobre a jornada de trabalho, mas adverte que as mudanças propostas podem ter consequências devastadoras. A entidade projeta um aumento anual de até R$ 267 bilhões nos custos com empregados formais, um fardo que, segundo a Confederação, impactaria diretamente a capacidade de gerar novas vagas e manter as atuais, afetando a dignidade e a subsistência de milhares de famílias.

“Não discutimos apenas horas trabalhadas, mas a competitividade de um país que já enfrenta obstáculos estruturais para produzir e competir, como o alto custo de produção e a insegurança jurídica”, enfatizou a Confederação no documento, alertando para o risco de desestimular investimentos e a expansão industrial.

Como relator, Léo Prates tem a missão de consolidar uma proposta. Embora duas sugestões iniciais – das deputadas Érika Hilton (Psol-SP) e Reginaldo Lopes (PT-MG) – sirvam de base, ele possui ampla autonomia para elaborar um texto independente e inovador. A aprovação, contudo, dependerá do aval da maioria da comissão, composta por 38 deputados.

Motta expressou a intenção de submeter a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ao plenário já em maio, como uma homenagem ao Dia do Trabalhador, celebrado em 1º de maio. Contudo, ele assegurou que todo o setor produtivo será amplamente consultado antes da finalização do texto. “Qualquer sugestão é válida e a comissão debaterá intensamente. Não prevalecerá a vontade de um partido ou grupo, mas a vontade média da Casa”, declarou o presidente da Câmara, reforçando o compromisso com um processo democrático.

No encerramento do manifesto, a CNI reiterou a necessidade de que “mudanças estruturais na legislação trabalhista se construam sobre evidências sólidas, diálogo técnico aprofundado e responsabilidade econômica”. A entidade pleiteia um assento ativo nesse debate, visando “contribuir para soluções equilibradas que fortaleçam o ambiente de negócios, multipliquem oportunidades de emprego para os brasileiros e assegurem a sustentabilidade econômica de longo prazo do país”, defendendo um futuro mais próspero e seguro para todos os trabalhadores.

Entenda as Propostas em Discussão sobre a Jornada de Trabalho

Três textos, com diferentes abordagens, tramitam na Câmara com o objetivo central de abolir o atual modelo de seis dias de trabalho para um de descanso, introduzindo novas jornadas semanais:

  • PEC da Deputada Érika Hilton (PSOL-SP): Apresentada no ano passado, esta Proposta de Emenda à Constituição visa reduzir a jornada para 36 horas semanais, com prazo de 360 dias para sua entrada em vigor.
  • PEC do Deputado Reginaldo Lopes (PT-MG): Protocolada em 2019, também propõe a redução para 36 horas semanais, mas estabelece um período de transição de 10 anos para a implementação da mudança.
  • Projeto de Lei do Governo Lula: Enviado nesta terça-feira, 14 de abril de 2026, o Projeto de Lei (PL) do Executivo sugere a redução da jornada para 40 horas semanais. O texto, que busca alterações via legislação ordinária, tramita em regime de urgência constitucional, acelerando seu processamento.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário