ALERTA CLIMÁTICO URGENTE

Cientistas confirmam 2025 como ano de extremos na Europa

Mapa da Europa com símbolos de calor extremo, fogo e gelo derretendo, representando as mudanças climáticas de 2025.
Imagem ilustra as mudanças climáticas e seus impactos na Europa, como ondas de calor e incêndios florestais.

Relatório anual revela aquecimento recorde, incêndios devastadores e perdas de gelo em 95% do continente.

Um relatório anual devastador, divulgado nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026, por cientistas europeus do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo em parceria com a Organização Meteorológica Mundial, confirma que quase toda a Europa enfrentou um ano de extremos climáticos em 2025, com temperaturas anormalmente elevadas. O estudo aponta a atividade humana como a principal causa do aquecimento acelerado, que transforma o continente no mais rápido a aquecer no planeta, gerando incêndios florestais recordes, secas severas e perdas maciças de gelo, impactando diretamente a vida e a dignidade de milhões de pessoas e exigindo ações urgentes.

Os dados são alarmantes: pelo menos 95% da Europa registrou temperaturas anuais acima da média em 2025. A escala da devastação é gritante, com incêndios florestais que queimaram mais de um milhão de hectares de terra – o maior número já registrado na história. Paralelamente, geleiras perderam massa e a cobertura de neve permaneceu abaixo da média. Segundo o consenso científico, estas são as consequências diretas do aquecimento global, impulsionado principalmente pela incessante queima de carvão, petróleo e gás.

Florian Pappenberger, diretor-geral do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, que produziu o relatório anual Estado do Clima Europeu, junto à Organização Meteorológica Mundial, enfatiza a gravidade da situação. "A Europa é o continente que está aquecendo mais rápido, e os impactos já são graves", declarou Pappenberger, que contou com a contribuição de mais de cem cientistas para o estudo.

Nos últimos 30 anos, a temperatura média no continente europeu subiu 0,56 ºC, enquanto a média global foi de 0,27 ºC. Isso significa que a Europa aqueceu aproximadamente o dobro da velocidade do mundo como um todo. Liz Bentley, chefe da Sociedade Real de Meteorologia da Grã-Bretanha, que analisou o relatório, mas não participou de sua elaboração, atribui essa vulnerabilidade à proximidade da Europa com o Ártico, a região que mais rapidamente aquece na Terra. "A cada ano vemos mais recordes sendo quebrados e mais eventos climáticos extremos à medida que nosso clima continua a aquecer", escreveu Bentley em um comunicado. "O aquecimento amplificado no Ártico é preocupante não apenas para a região ártica, mas para o resto do mundo."

As temperaturas no Ártico, por sua vez, aumentaram 0,75 ºC nos últimos 30 anos. Em 2025, a camada de gelo da Groenlândia perdeu um volume de gelo maior do que o contido em todas as geleiras dos Alpes, e as geleiras da Islândia registraram sua segunda maior perda de massa já documentada. Esse derretimento maciço tem consequências profundas: contribui para a elevação do nível do mar e acelera ainda mais o aquecimento global, pois menos neve e gelo significam menos luz solar refletida de volta para a atmosfera.

O continente também experimenta temperaturas de congelamento com menos frequência. Em julho de 2025, partes da Noruega, Suécia e Finlândia foram atingidas por uma onda de calor recorde de três semanas. De forma isolada, até mesmo dentro do Círculo Polar Ártico, houve dias em que os termômetros ultrapassaram os 30 ºC, um cenário antes impensável.

O aumento das temperaturas impactou drasticamente as bacias hidrográficas. Em maio de 2025, mais da metade da Europa enfrentou condições de seca severa. Aproximadamente 70% de seus rios apresentaram fluxo anual abaixo da média, tornando 2025 um dos três anos mais secos para a umidade do solo desde 1992.

As temperaturas da superfície do mar na Europa atingiram o nível mais alto já registrado pelo quarto ano consecutivo. O relatório detalha uma onda de calor marinha "forte" no Mediterrâneo e uma "severa" no Mar da Noruega, com impactos devastadores para a vida marinha e os ecossistemas costeiros.

Samantha Burgess, diretora adjunta do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus no Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, resume o cenário com um alerta contundente: o relatório "pinta um quadro alarmante". "O ritmo das mudanças Climáticas exige ações mais urgentes", conclui a especialista, reforçando a necessidade inadiável de medidas para proteger o futuro do planeta.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário