GEOPOLÍTICA GLOBAL

China age por trégua EUA-Irã antes de encontro Trump-Xi

Imagem ilustrativa de Donald Trump e Xi Jinping, representantes dos Estados Unidos e da China, preparando-se para uma reunião de cúpula em Pequim, com a diplomacia em foco.
Foto: Donald Trump e Xi Jinping se preparam para encontro em Pequim.

Ações diplomáticas buscam cessar-fogo duradouro e garantem passagem no Estreito de Ormuz. Crise e comércio moldam agenda em Pequim.

A diplomacia global se movimenta intensamente em busca de estabilidade no Oriente Médio. Nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, Paquistão e China articularam a urgência de uma trégua entre Estados Unidos e Irã. A iniciativa surge em um momento crucial, antecedendo a visita do presidente norte-americano, Donald Trump, a Pequim, onde a crise na região será um tema central, visando evitar uma escalada de tensões que impactaria diretamente a segurança e o comércio mundial.

O chanceler paquistanês, Ishaq Dar, e o ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Yi, discutiram os desdobramentos da crise no Oriente Médio e os esforços diplomáticos para tentar destravar as negociações entre Washington e Teerã. Um comunicado do governo paquistanês revelou a profundidade do engajamento bilateral, sublinhando a necessidade de uma pausa nos conflitos.

O Paquistão tem desempenhado um papel vital como mediador nas conversas, atualmente em impasse. Durante a ligação entre os chanceleres, Wang Yi elogiou o papel de Islamabad nas tentativas de mediação. “Ambos os lados sublinharam a importância de manter um cessar-fogo duradouro e garantir a passagem normal pelo Estreito de Ormuz”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, destacando a preocupação com a livre circulação em uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta para o transporte de petróleo.

A China no xadrez global

O conflito com o Irã deve dominar parte importante da agenda bilateral entre EUA e China. A China é uma aliada histórica de Teerã e uma das maiores compradoras de petróleo iraniano. Nos bastidores, Pequim é vista como uma possível mediadora para reduzir as tensões entre os dois países, dado seu poder e influência na região.

As negociações entre Washington e Teerã permanecem travadas após Donald Trump classificar, no último fim de semana, a mais recente contraproposta iraniana para encerrar a guerra como “um lixo”. Apesar disso, o presidente afirmou acreditar que o Irã acabará interrompendo o enriquecimento de urânio e abandonando qualquer tentativa de desenvolver armas nucleares. A retórica de Trump, no entanto, é de alto risco: “Ou faremos um acordo ou eles serão dizimados”, declarou ele, elevando o tom das ameaças.

O republicano afirmou ainda que mantém contatos diretos com autoridades iranianas durante as negociações e disse considerar que a situação está “muito bem controlada”. Contudo, um assessor do líder supremo do Irã alertou Trump para que não interprete a ausência momentânea de confrontos como uma vitória norte-americana, ressaltando a volátil natureza da crise.

O Estreito de Ormuz continua como tópico sensível diante do agravamento da crise envolvendo Teerã e Washington. A instabilidade nessa via marítima pode gerar impactos econômicos globais significativos, elevando o preço do petróleo e desestabilizando mercados. Além do Irã, o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping deve abordar temas como Taiwan, comércio bilateral, exportação de semicondutores, terras raras e segurança no Indo-Pacífico, evidenciando a amplitude das pautas.

Nesta mesma terça-feira, o Departamento de Estado dos EUA informou que chineses e americanos concordam que nenhum país deve cobrar pedágios para a travessia da rota marítima, uma postura conjunta que busca garantir a liberdade de navegação e a estabilidade econômica global.

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