TRANSPARÊNCIA JÁ
CGU investigará denúncia de Seif sobre viagens de autoridades
Denúncias apontam para US$ 11,5 milhões em gastos privados para autoridades, com possíveis irregularidades em registro. Pedido de Jorge Seif exige apuração.
O senador Jorge Seif (PL-SC) acionou, nesta terça-feira, 05 de maio de 2026, a CGU (Controladoria-Geral da União) e a Comissão de Ética Pública para investigar viagens internacionais de autoridades brasileiras. O parlamentar busca esclarecer se o custeio privado dessas deslocações, especialmente de agentes ligados ao fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, configurou conflito de interesses e falhas graves na transparência pública. A iniciativa, que ecoa a preocupação com a integridade da administração e a confiança da sociedade, pode desvendar potenciais irregularidades no uso de jatinhos e hospedagens de alto padrão.
Os pedidos de apuração detalham despesas com passagens, hospedagens e participação em eventos no exterior, em cidades estratégicas como Londres, Nova York e Lisboa. Segundo os documentos apresentados, o então controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria financiado eventos com um "elevado dispêndio de recursos", totalizando uma estimativa de US$ 11,5 milhões – o equivalente a cerca de R$ 60 milhões. Este montante impressionante cobriu custos de hospedagem, transporte de luxo, fretamento de jatinhos e outras formas de hospitalidade para os participantes.
Um dos exemplos citados é o 1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias, realizado em Londres em abril de 2024. Somente este evento, que reuniu aproximadamente 70 participantes, teria custado cerca de US$ 7,5 milhões. A cifra engloba desde jantares e homenagens até shows e encontros sociais, além de experiências de entretenimento exclusivas oferecidas aos convidados. Eventos similares em Nova York e Lisboa também estão sob o escrutínio, com despesas adicionais e a oferta de brindes e hospitalidades que o senador classifica como de alto padrão.
O senador Seif argumenta que há fortes indícios de falhas no cumprimento das regras essenciais de transparência e na prevenção de conflito de interesses. Para o parlamentar, os fatos revelam uma "fundada aparência de não observância do rito preventivo e transparente" exigido por lei para hospitalidades custeadas por particulares. A preocupação central é que a opacidade nesses processos erode a dignidade do serviço público e levanta sérias questões sobre a isenção dos envolvidos.
As representações apontam, ainda, para possíveis inconsistências nos registros oficiais. Em um caso específico, uma viagem foi anotada no sistema e-Agendas apenas como "evento", sem qualquer menção ao custeio privado ou à natureza das hospitalidades recebidas. O senador alerta que a ausência de uma classificação adequada pode não apenas indicar falhas na divulgação das informações, mas também fragilizar o controle institucional sobre a conduta das autoridades.
Outro ponto que exige apuração é a possível oferta de vantagens indevidas. O documento do senador faz menção a relatos de eventos paralelos de altíssimo custo, como uma degustação de whisky em Londres, que teria gerado despesas de aproximadamente US$ 640 mil (cerca de R$ 3,2 milhões à época) e a entrega de garrafas aos convidados. Segundo a representação, situações como essa podem, em tese, configurar irregularidade caso não obedeçam rigorosamente aos critérios legais de hospitalidade estabelecidos para agentes públicos.
Se as irregularidades forem confirmadas pelas investigações da CGU e da Comissão de Ética Pública, o senador Seif requer a imediata adoção de medidas administrativas e disciplinares contra os responsáveis. Além disso, mesmo antes de uma conclusão definitiva, ele defende um aprimoramento urgente nos mecanismos de controle e de transparência, visando garantir que viagens e benefícios custeados por agentes privados sejam sempre conduzidos com a máxima lisura e em total conformidade com a lei, fortalecendo a ética na administração pública.
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