SEGURANÇA JUDICIÁRIA NACIONAL

Cem magistrados enfrentam ameaças do crime organizado no Brasil

Ministro Edson Fachin em evento oficial do STF.
Edson Fachin, presidente do STF, alerta para riscos contra magistrados brasileiros. Foto: Victor Piemonte/STF.

O presidente do STF, Edson Fachin, revelou que 79 juízes brasileiros dependem de escolta e proteção constante devido à atuação direta contra facções criminosas.

Cem magistrados brasileiros que atuam no combate ao crime organizado estão sob risco iminente de retaliação, exigindo medidas urgentes de segurança para preservar a independência judicial e a vida desses servidores. A revelação foi feita pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, nesta sexta-feira, 10/07/2026, durante a instalação de novas Varas Estaduais especializadas em Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

Do grupo sob ameaça, 79 magistrados já contam com esquemas ativos de proteção. O cenário de vulnerabilidade, contudo, transcende a segurança física: Fachin alertou para o crescimento de ataques cibernéticos, exposição de dados pessoais e campanhas de perseguição digital orquestradas, que visam silenciar quem decide contra as facções.

A tensão que paira sobre o Judiciário afeta diretamente a dignidade do servidor, que muitas vezes vê sua vida social e a de sua família restringidas em razão da função. A proteção contra o crime organizado, embora amparada por leis recentes sancionadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), esbarra em limitações orçamentárias. Como pontuou o desembargador Edison Brandão, diretor de Segurança de Magistrados da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), a proteção é essencial, mas a escassez de recursos dificulta a manutenção de estruturas completas, como blindagens e escoltas permanentes.

O desafio atual envolve não apenas a logística da segurança, mas o enfrentamento a um sistema que busca desestabilizar o Estado de Direito Democrático. Enquanto o TJ-SP e outras cortes discutem modelos como o de “juízes sem rosto” para minimizar a exposição pessoal, a rede de proteção permanece como o único baluarte contra o avanço das organizações criminosas no país.

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