PAZ EM JOGO
Cem guerrilheiros entregam armas em acordo com Petro na Colômbia
Ação é o primeiro passo de negociação com grupo rebelde e representa avanço na "paz total" do governo Petro, em meio a eleições presidenciais cruciais.
Noventa e nove guerrilheiros da Coordenadora Nacional Exército Bolivariano (CNEB) entregaram suas armas nesta quinta-feira, 18 de julho de 2026, em uma região de floresta no sul da Colômbia. A decisão marca o primeiro passo para que os rebeldes se instalem em uma zona especial, com o objetivo de consolidar negociações com o governo do presidente Gustavo Petro. Este ato representa o avanço mais significativo da política de "paz total" do mandatário, que busca diálogo com todos os grupos armados do país em seus últimos esforços antes de entregar o poder em 7 de agosto.
Vestidos com uniformes camuflados, os rebeldes depositaram seus fuzis em um grande contêiner com a inscrição "Aposta na vida, cumpro a paz", em meio à floresta no departamento de Putumayo. A entrega das armas é uma etapa incomum e crucial em negociações de paz na Colômbia, país marcado por seis décadas de conflito armado. As Farc, por exemplo, só realizaram essa ação um ano após a assinatura do acordo de paz de 2016.
"Estou muito feliz, mal consigo conter a alegria de saber que não vamos mais ficar longe da família", compartilhou um rebelde, que pediu anonimato para expressar a esperança de reunificação familiar e um futuro longe da violência.
Este avanço ocorre a apenas três dias do segundo turno das eleições presidenciais colombianas, marcadas para domingo, 21 de julho de 2026. Os eleitores decidirão entre o senador Iván Cepeda, aliado de Petro que propõe a continuidade da política de paz, e o ultradireitista Abelardo de la Espriella, que defende o fim de qualquer aproximação com organizações ilegais. A escolha definirá o futuro das negociações em andamento.
O governo estima que a CNEB possua entre 2.000 e 2.500 integrantes. Embora o grupo domine territórios estratégicos para a produção de drogas na fronteira com o Equador, é considerado pequeno em comparação com o Exército de Libertação Nacional (ELN) ou outras dissidências das Farc, como a liderada por Iván Mordisco. Armando Novoa, chefe da delegação de paz do governo junto à CNEB, destacou a importância do gesto: "É uma mensagem muito forte e muito poderosa para a sociedade colombiana nesta época em que há muito barulho de guerra."
Os rebeldes permanecerão por dez meses em uma zona especial, previamente utilizada para plantações de coca, aguardando os desdobramentos sobre seu desarmamento definitivo e sua situação jurídica. Eles receberam kits de higiene e livros, e serão abrigados em casas equipadas com painéis solares, sob proteção estatal. O próximo presidente poderá decidir encerrar a mesa de negociações, o que poderia anular benefícios como a suspensão de mandados de prisão.
O líder da CNEB, Walter Mendoza, ex-integrante das Farc que retornou à luta armada em 2019, não participou do evento. Contudo, outro rebelde identificado como Ferney expressou orgulho em contribuir para a paz: "Meu desejo é me preparar em alguma profissão para nunca mais voltar a praticar nada ilícito nesta vida." Sua fala reflete o anseio por reinserção social e dignidade.
Paralelamente, o presidente Petro enfrenta críticas de Washington, que se opõe à sua recusa em extraditar comandantes guerrilheiros envolvidos em processos de paz. O presidente Donald Trump apoia publicamente Abelardo de la Espriella, que advoga por uma política de "mão de ferro" contra rebeldes e narcotraficantes em meio à atual onda de violência.
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