GUERRA DE EMPRESÁRIOS

Caso Master: Vladimir Timerman rebate Nelson Tanure após acesso a MPF

Empresário Vladimir Timerman
Vladimir Timerman, empresário da Esh Capital, reage a acusações de Nelson Tanure. (Imagem ilustrativa)

Vladimir Timerman, da Esh Capital, e Nelson Tanure, da Gafisa, trocam acusações após mensagens revelarem que o "Sicário" acessou sigilo do MPF para obter informações de uma ação movida pelo empresário. Decisão sobre o caso ainda não é definitiva, mas impacta a credibilidade de figuras públicas.

O empresário Vladimir Timerman, da Esh Capital, reagiu com contundência às declarações de Nelson Tanure, principal acionista da construtora Gafisa, após a revelação de que ambos eram monitorados pelo homem apontado como “Sicário”, um ex-assessor de Daniel Vorcaro. Timerman, que se apresenta como o primeiro delator do Caso Master por suas denúncias sobre engrenagens financeiras supostamente ligadas a operações fraudulentas de Vorcaro, fez denúncias ao Banco Central (Bacen) em março e outubro de 2023, e também contra a Gafisa, citando o banco de Vorcaro. Ele procurou o Ministério Público Federal (MPF) contra o banqueiro.

“Aos poucos, a verdade vem à tona. Como falei na CPI do Crime Organizado, [Daniel] Vorcaro era apenas um garoto de recados”, declarou Timerman, insinuando uma sociedade oculta entre Tanure e o Master. A controvérsia ganhou novos contornos nesta terça-feira, 16 de junho de 2026, quando o Metrópoles revelou trechos de mensagens interceptadas pela Polícia Federal (PF) entre Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, e o antigo dono do Banco Master. As conversas indicam que “Sicário” acessou áreas restritas do sistema do MPF para obter partes sigilosas de uma ação contra Tanure e Vorcaro, ação essa originada por uma denúncia de Timerman.

Em resposta, Tanure enviou uma nota ao Metrópoles, por meio de sua assessoria de imprensa, afirmando desconhecer o “Sicário”. Ele ressaltou que Timerman foi condenado em duas instâncias por perseguição contra o sócio majoritário da Gafisa. Timerman, por sua vez, rebateu: “Por óbvio que Tanure afirma que não conhece o Sicário, talvez a explicação esteja no remetente das mensagens encaminhadas por Vorcaro ao Sicário”. Ele anunciou que cruzará prints de postagens suas enviadas por Vorcaro ao “Sicário” com as utilizadas por advogados e relembrou que Nelson Tanure já foi investigado por compra de magistrados, processo cuja notícia de arquivamento não é conhecida.

O empresário também mencionou uma comunicação de 15 de fevereiro de 2024, na qual Vorcaro enviou ao “Sicário” uma foto da portaria de um inquérito policial, informando que se referia ao “caso Vladimir”. Timerman criticou o fato de seu nome constar em mensagens trocadas entre Vorcaro e “Sicário”, questionando a precisão das datas apresentadas, especialmente considerando que, segundo o procedimento, Vorcaro não teria conhecimento de suas denúncias na época. Ele citou ainda o caso da Petrorio, onde Tanure teria dito à CVM não ter ligação com a empresa, mas foi condenado a pagar R$ 1,5 milhão por mentira, multa essa que, segundo Timerman, foi anulada na Justiça. "Quando as mentiras que brada aos quatro ventos forem desmascaradas, minha pena será anulada e a dele será longa. E, se existir justiça, em regime fechado", concluiu Timerman, em uma declaração que reflete o impacto pessoal e a gravidade das acusações em jogo.

A nota de Nelson Tanure, enviada ao Metrópoles, reafirmou a posição de que ele foi vítima de crime de perseguição por parte de Vladimir Timerman, com condenação judicial reconhecida em primeiro e segundo grau. A assessoria de Tanure reiterou que ele jamais ouviu falar do “Sicário”, que aparentemente violou sigilo e acessou processo onde seus advogados já estavam constituídos para representá-lo formalmente. A situação expõe a complexidade do Caso Master e levanta questões sobre acesso a informações sigilosas e as relações entre figuras proeminentes do mundo empresarial.

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