CRISE DO COMBUSTÍVEL
Casa Branca sente pressão por gasolina alta
Preços do combustível disparam 50% e ameaçam eleições nos EUA, levando o Presidente Donald Trump a considerar corte de impostos para aliviar o consumidor.
O Presidente Donald Trump considerou apoiar a suspensão do imposto federal sobre a gasolina, uma medida que visa conter as severas consequências econômicas e políticas da guerra com o Irã. A proposta, que ganha urgência na Casa Branca nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, busca aliviar o bolso das famílias norte-americanas, que enfrentam um aumento de 50% nos preços do combustível desde o início do conflito. A decisão é estratégica para mitigar a crescente insatisfação pública e proteger o partido Republicano nas próximas eleições de meio de mandato.
A Casa Branca, inicialmente cética, agora percebe a urgência da medida, buscando oferecer um sinal concreto de combate ao aumento dos custos, conforme revelaram fontes internas sob anonimato. Dentro do círculo presidencial, cresceu o consenso de que, com os preços do combustível disparando 50% desde o início da guerra, o Presidente Trump necessita de "uma medida visível de alívio ao consumidor agora".
Historicamente, o preço de US$ 4 por galão de gasolina sempre desencadeou forte reação pública e ansiedade econômica. A situação se repete, com a confiança do consumidor atingindo um nível recorde de baixa e a inflação ao consumidor nos EUA subindo para 3,8% em abril de 2026, a maior em quase três anos. Mais de seis em cada dez norte-americanos afirmam ter as finanças de suas famílias afetadas pelos altos preços, segundo pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em maio de 2026, que mostrou a aprovação econômica de Trump em apenas 30% — uma queda significativa desde o início do conflito.
O cenário gera pressão crescente sobre o Presidente Trump por parte de seus colegas Republicanos, que temem que os impactos econômicos da guerra possam resultar em uma forte reação eleitoral. O receio é perder o controle da Câmara dos Deputados e, possivelmente, do Senado nas eleições de meio de mandato, em novembro de 2026. Analistas de mercado da Casa Branca já avaliam a possibilidade de o preço médio nacional da gasolina atingir US$ 5 por galão, enquanto dados da AAA (Associação Automobilística Americana) indicam que sete Estados já superaram essa marca.
"Eles acreditam que a maior vulnerabilidade, neste momento, é o custo específico da gasolina, e não as condições econômicas em geral", explicou um assessor político da Casa Branca. "O mais desafiador é que transformamos os preços da gasolina no calcanhar de Aquiles para o ex-presidente Joe Biden, e agora se tornou o nosso próprio calcanhar de Aquiles."
A porta-voz da Casa Branca, Taylor Rogers, afirmou que o Presidente Trump e sua equipe de energia anteciparam as interrupções nos mercados globais de energia causadas pela guerra e prepararam um plano para mitigar o impacto. "A capacidade de abastecer os Estados Unidos e nossos aliados com energia confiável, acessível e segura tem sido, há muito tempo, um dos principais objetivos estratégicos do Presidente Trump, e seus esforços bem-sucedidos para liberar o petróleo e o gás norte-americanos alcançaram esse objetivo", declarou Rogers.
As preocupações governamentais se intensificaram com as exportações de petróleo e combustível dos EUA atingindo recordes, impulsionadas por compradores asiáticos e europeus em busca de suprimentos. Isso reduziu os estoques internos em um período em que normalmente aumentam, gerando alarme entre analistas de Wall Street. Eles alertam que os EUA podem enfrentar uma crise energética que elevará ainda mais os preços da gasolina, do diesel e do combustível de aviação no verão de 2026. A escalada dos preços da energia é atribuída ao corte de acesso do Irã ao Estreito de Ormuz, rota vital que transporta um quinto da oferta mundial de petróleo.
Os impactos são sentidos em diversos setores, desde companhias aéreas até gigantes do fast-food como o McDonald's. O presidente-executivo da rede afirmou, na semana passada, que consumidores de baixa renda já estão reduzindo seus gastos. As despesas com combustível das companhias aéreas dos EUA, por exemplo, dispararam 56% em março de 2026 em relação a fevereiro de 2026, pressionando um setor que já opera com margens reduzidas, conforme dados do Departamento de Transportes.
Apesar da pressão econômica, o Presidente Trump classificou os aumentos como um "pequeno preço a ser pago" pelos esforços para derrubar o regime do Irã e impedir que Teerã adquira uma arma nuclear. Perguntado na terça-feira, 12 de maio de 2026, se as finanças dos norte-americanos o motivavam a fechar um acordo, Trump respondeu de forma categórica: "Nem um pouco".
"A única coisa que importa quando estou falando sobre o Irã é que eles não podem ter uma arma nuclear", disse Trump a repórteres. "Não penso na situação financeira dos norte-americanos. Não penso em ninguém. Penso em uma coisa - não podemos permitir que o Irã tenha uma arma nuclear. Isso é tudo."
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