SAÚDE MENTAL E BRINQUEDOS
Câmara de Natal propõe campanha de conscientização sobre adultos que tratam bonecas reborn como bebês
Vereador Preto Aquino (Podemos) apresentou projeto de lei que visa orientar sobre a humanização de bonecas e os possíveis impactos na saúde mental, integrando a discussão à rede municipal de saúde.
A Câmara Municipal de Natal discutiu, nesta quarta-feira, 10 de junho de 2026, um projeto de lei que propõe a criação de uma campanha municipal de conscientização sobre adultos que desenvolvem laços afetivos com bonecas reborn, tratando-as como bebês reais. A iniciativa, apresentada pelo vereador Preto Aquino (Podemos), busca integrar essa discussão à rede municipal de saúde, focando na humanização de brinquedos por adultos e nos potenciais impactos para a saúde mental. O projeto foi lido em plenário e prevê que a campanha integre o protocolo padrão de atendimento psiquiátrico da rede municipal. O objetivo principal é orientar a população sobre a formação de vínculos, sejam eles reais ou imaginários, com brinquedos, e os efeitos que tais apegos podem ter na saúde mental. As bonecas reborn, que se destacam pelo alto grau de realismo e semelhança com bebês humanos, ganharam notoriedade nas redes sociais e geraram debates no Brasil. Relatos de pessoas utilizando esses objetos em situações cotidianas, como passeios e consultas simbólicas, motivaram a proposição. O vereador Preto Aquino enfatizou a importância de tratar o tema sem deboche ou discriminação, ressaltando que indivíduos com apego excessivo a esses brinquedos podem necessitar de acompanhamento psicológico ou psiquiátrico. "A gente não pode ridicularizar, a gente não pode discriminar. Essas pessoas precisam, sim, de tratamento", declarou Aquino, defendendo que a rede pública esteja preparada para acolher e encaminhar casos onde o apego transcende o lúdico e indica sofrimento emocional. A proposta legislativa visa informar sobre o caráter lúdico e representativo dos objetos de apego, orientar sobre a distinção entre o real e o imaginário, e permitir que a rede pública de saúde acompanhe quadros de distorção da realidade decorrentes de apego excessivo a brinquedos humanizados. Segundo Preto Aquino, a proposição surgiu em um momento de repercussão nacional do tema, com relatos de pessoas buscando atendimento para questões relacionadas. Embora Natal não tenha registrado casos graves de ampla notoriedade, o vereador considera essencial a discussão preventiva e de orientação. "Graças a Deus essa turbulência já passou. Graças a Deus nós não evidenciamos casos muito graves aqui no Rio Grande do Norte. Mas a gente não pode deixar de abordar", afirmou. O projeto busca esclarecer que o intuito não é criminalizar ou constranger quem coleciona ou se afeiçoa a bonecas reborn, mas sim identificar situações em que o vínculo com o objeto interfira na percepção da realidade ou demande cuidados de saúde mental. A proposta agora segue o trâmite legislativo na Câmara. Caso seja aprovada e sancionada, caberá ao município a definição sobre a execução da campanha na rede de saúde e as orientações a serem repassadas aos profissionais e à população.
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