PROTEÇÃO VISÍVEL AGORA
Câmara aprova cordão roxo para Alzheimer e foca em dignidade
Comissão da Câmara aprova Projeto de Lei 334/26, que cria o cordão roxo para identificação de pessoas com Alzheimer. Geriatra avalia a medida e aponta desafios na implementação.
A Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa da Câmara dos Deputados deu um passo significativo para a proteção e dignidade de pessoas com Alzheimer, ao aprovar, na última sexta-feira, 15 de maio de 2026, o Projeto de Lei 334/26. A medida propõe a criação de um cordão roxo de identificação, visando assegurar o reconhecimento e evitar constrangimentos ou conflitos em espaços públicos, promovendo mais segurança e inclusão para os indivíduos afetados pela demência.
Contudo, o caminho para a implementação ainda é longo. O projeto agora segue para avaliação de outras duas comissões dentro da própria Câmara dos Deputados, antes de ser enviado ao Senado Federal para votação.
O geriatra Leonardo Oliva, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, expressou apoio à iniciativa. Ele enfatizou a relevância da sinalização visual como uma ferramenta protetiva para este grupo vulnerável. "A identificação dos pacientes com demência pode favorecer a proteção desse indivíduo, principalmente em espaços públicos", afirmou, reiterando que esta é "uma necessidade real" e que o cordão roxo "parece adequado" para tal propósito.
Apesar do reconhecimento, Oliva também levantou uma questão crucial: a já existente identificação com cordão de girassóis, utilizada para pessoas com deficiências não visíveis, incluindo demências. Para o especialista, a introdução de um novo símbolo pode gerar "uma maior complexidade de entendimento", o que, paradoxalmente, poderia dificultar a assistência a essa população em vez de simplificá-la.
Além do aspecto visual, Leonardo Oliva alertou que a mera identificação não é suficiente. "A gente precisa ter uma sinalização, mas a gente precisa também ter um treinamento das pessoas que vão lidar com esses indivíduos", salientou. Ele apontou aeroportos, rodoviárias, bancos e unidades de saúde como locais prioritários para a capacitação, garantindo que o significado do cordão seja compreendido e que os profissionais saibam como interagir adequadamente com quem o utiliza.
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