GESTÃO DA SAÚDE

Sesap admite crise no abastecimento do Hospital Walfredo Gurgel

Fachada do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel em momento de crise de abastecimento.
Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel enfrenta desafios no abastecimento de insumos básicos e medicamentos críticos.

Documento interno revela que 25% dos insumos do Hospital estão zerados e 11% em nível crítico. Secretaria alega que cenário já foi mais grave.

O Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel enfrenta um quadro de escassez de materiais e medicamentos classificado pela própria Divisão de Farmácia como de extrema gravidade. A situação veio a público após a divulgação de um relatório oficial da unidade, que aponta 189 itens com estoque completamente zerado, o que corresponde a 25% do catálogo total do hospital.

Após a repercussão da reportagem publicada na TRIBUNA DO NORTE no último sábado (22/08), o secretário de Estado da Saúde Pública, Alexandre Motta, utilizou as redes sociais para se posicionar sobre o caso. Ao lado do chefe da Divisão de Farmácia, Thiago Sá, o gestor reconheceu a criticidade dos itens em falta, tratando o relatório como um alerta necessário para a tomada de medidas urgentes.

A falta de insumos impacta diretamente a dignidade do paciente e a capacidade de resposta das equipes médicas. Estão em falta desde materiais básicos, como luvas e agulhas, até medicamentos essenciais para pacientes em UTI, a exemplo da noradrenalina, além de itens fundamentais para cirurgias de urgência e emergência, como tubos para intubação e bisturis.

No vídeo divulgado, Thiago Sá defendeu que o desabastecimento é um desafio contínuo na unidade e que, em momentos anteriores, a situação de estoque já atingiu patamares mais severos. Segundo o representante da Divisão de Farmácia, a gestão tem atuado por meio de permutas, novos processos licitatórios e negociações com fornecedores para recompor os estoques, afirmando que 72% dos itens em nível crítico já possuem processos de aquisição em tramitação.

O memorando da Divisão de Farmácia, contudo, é enfático ao listar as causas do gargalo: entraves em processos licitatórios, falta de orçamento para empenho e inadimplência de fornecedores. A nota técnica reforça que a rotina do setor tem se transformado em um manejo constante de crises, o que sobrecarrega as equipes de assistência e compromete a previsibilidade do atendimento à população.

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