VACINA DA DENGUE

Butantan mantém testes da vacina da dengue em idosos após suspensão

Imagem ilustrativa de um frasco de vacina contra a dengue e uma seringa.
Ilustração da vacina contra a dengue. Crédito: Poder360

Instituto segue com 997 voluntários em estudo clínico enquanto Ministério da Saúde suspende aplicação em massa após relatos de reações adversas.

O Instituto Butantan decidiu prosseguir com os testes clínicos da vacina contra a dengue, conhecida como Butantan-DV, em pessoas com 60 anos ou mais. A decisão, comunicada nesta quarta-feira, 10/06/2026, ocorre em paralelo à suspensão temporária da aplicação do imunizante determinada pelo Ministério da Saúde na segunda-feira, 8 de junho de 2026. O estudo, que envolve 997 participantes, é crucial para avaliar a segurança e eficácia da vacina em diferentes faixas etárias, impactando diretamente a saúde pública no combate à dengue. Os ensaios clínicos continuam em quatro centros localizados no Rio Grande do Sul e um no Paraná, com 997 voluntários, homens e mulheres. Um subgrupo de 767 participantes, com idades entre 60 e 79 anos, está sendo acompanhado de perto, sendo que 690 receberão a vacina e 77, um placebo. Adicionalmente, 230 adultos com idades entre 40 e 59 anos receberão o imunizante, sem a necessidade de um grupo de controle com placebo nesta faixa etária. Em comunicado oficial, o Instituto Butantan esclareceu que a suspensão definida pelo Ministério da Saúde não interfere nos estudos clínicos em andamento. "O que foi descontinuado foi a estratégia de aplicação vacinal para profissionais de saúde e nos 3 municípios em que estava sendo feita a aplicação em massa", explicou o instituto, reafirmando a importância da continuidade da pesquisa. A suspensão pelo Ministério da Saúde foi motivada pela identificação de 42 episódios de reações adversas severas, sendo três classificadas como graves, e dois óbitos notificados. Até 30 de maio, mais de 500 mil doses da vacina haviam sido aplicadas desde janeiro. Deste total, 3.703 pessoas apresentaram sintomas semelhantes aos da dengue. Os casos de reações em 42 vacinados incluíram dor abdominal, vômito persistente e sangramento. O Ministério da Saúde ressaltou que esses eventos são raros e inesperados, diferentemente do observado durante os estudos clínicos. Dos casos graves que levaram à hospitalização, duas mortes foram confirmadas: uma mulher de 48 anos apresentou comprometimento neurológico 19 dias após a imunização e evoluiu para dengue grave; um homem de 58 anos teve febre 5 dias após a vacina e desenvolveu um quadro de choque refratário. Uma terceira paciente, de 39 anos, necessitou de Unidade de Terapia Intensiva devido a febre e náuseas após 6 dias da vacinação, mas já recebeu alta.

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