BIODIVERSIDADE DA CAATINGA

Bromélia nativa da Caatinga auxilia na sobrevivência de espécies vegetais

Planta bromélia crescendo entre rochas no semiárido da Caatinga.
Bromélia Encholirium spectabile em seu habitat natural na Caatinga.

Estudo da UFRN revela como a Encholirium spectabile atua como pilar de ecossistemas rochosos no semiárido.

A bromélia Encholirium spectabile, popularmente chamada de macambira-de-flecha, atua como uma espécie facilitadora essencial para a manutenção da vida em afloramentos rochosos do semiárido brasileiro. A descoberta, consolidada em 13/07/2026, destaca como a estrutura física dessa planta viabiliza o desenvolvimento de diversas outras espécies em ambientes hostis.

O estudo, intitulado "A complexidade estrutural associada a uma bromélia rupícola aumenta a riqueza de plantas vasculares em afloramentos rochosos semiáridos", foi conduzido pelo pesquisador Jaqueiuto Jorge, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Os resultados foram publicados na revista Perspectives in Plant Ecology, Evolution and Systematics.

A pesquisa detalha que a macambira-de-flecha cria um microclima favorável ao reter matéria orgânica e oferecer abrigo contra o calor extremo e a aridez da Caatinga. Esse suporte estrutural permite que desde pequenas ervas até árvores, como o umbuzeiro e o mulungu, consigam germinar em áreas rochosas onde a sobrevivência seria inviável de outra forma.

Entre 2021 e 2023, a equipe realizou expedições científicas que exigiram esforço físico rigoroso para superar as condições geográficas e a fauna local. Os dados coletados confirmam que touceiras maiores da planta abrigam o dobro da riqueza de espécies em comparação às menores, evidenciando que a complexidade da estrutura vegetal é um motor direto da biodiversidade local.

A relevância do achado vai além da academia, alertando para a fragilidade dos afloramentos rochosos frente à mineração e às mudanças climáticas. Segundo Jaqueiuto Jorge, a preservação dessas bromélias é vital para evitar um colapso ecológico em cascata, reforçando a urgência de políticas públicas de conservação para um bioma frequentemente negligenciado.

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