AVANÇO DA CIÊNCIA
Veneno do niquim no Brasil revela avanços contra inflamações
Pesquisadores do Instituto Butantan decifram proteínas do Thalassophryne nattereri para tratar lesões e entender o sistema imunológico.
O veneno do peixe niquim, espécie conhecida pelo nome científico Thalassophryne nattereri, tornou-se um aliado fundamental na compreensão científica de processos inflamatórios severos no Brasil. A decisão de aprofundar os estudos sobre o animal, iniciada originalmente em 1996 por pesquisadores do Instituto Butantan, revelou mecanismos moleculares inéditos que explicam como a toxina impede a cicatrização de feridas em pescadores e banhistas.
Nesta segunda-feira, 20/07/2026, a relevância do estudo é destacada pelo biólogo Airton Cesar Silva. Segundo o especialista, ao contrário de venenos de serpentes ou aranhas, a substância produzida pelo niquim causa uma isquemia severa e desorganiza a matriz extracelular. Esse comportamento peculiar impede que as células de defesa do organismo alcancem a região atingida, gerando a necrose e a dificuldade extrema de recuperação observadas na prática clínica.
Durante as investigações científicas, o grupo identificou proteínas como as Natterins e a lectina Nattectin. A descoberta transformou a percepção sobre o animal: o que era visto apenas como um risco à saúde pública costeira, agora serve como modelo biológico para investigar o funcionamento do sistema imunológico. Estas moléculas atuam como chaves que auxiliam na decodificação de respostas inflamatórias complexas.
O impacto dessa pesquisa atravessa a zoologia. Outra descoberta importante revelada pelos estudos é que genes semelhantes aos das Natterins estão presentes em centenas de espécies, como corais, insetos, fungos e esponjas. A existência dessa família de proteínas há milhões de anos sugere funções biológicas fundamentais, muito além do potencial tóxico que caracteriza o niquim em seu Habitat natural de Águas rasas, praias e manguezais.
Apesar de seu comportamento ser considerado pacífico, o niquim oferece riscos quando pisado acidentalmente. Como essa espécie costuma se esconder na areia, a proteção à Gente passa pela conscientização. A ciência, contudo, continua a transformar essa História, provando que a compreensão profunda da biodiversidade brasileira é capaz de oferecer caminhos para futuros tratamentos médicos.
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