CIÊNCIA E BIODIVERSIDADE
Cientistas descobrem Oplonia doceana, nova espécie de planta no Brasil
Após 12 anos de mistério, pesquisadores identificam arbusto inédito em Minas Gerais e alertam para risco de extinção da espécie na região do Rio Doce.
Pesquisadores brasileiros encerraram um enigma botânico que durou mais de uma década ao identificar uma espécie inédita para a ciência. A descoberta, consolidada nesta terça-feira, 14/07/2026, marca o primeiro registro do gênero Oplonia no Brasil, ampliando o entendimento sobre a flora da América do Sul.
A planta, batizada de Oplonia doceana, foi coletada pela primeira vez em 2013 em áreas montanhosas de Minas Gerais. O mistério sobre sua origem só foi solucionado por meio de análises genéticas conduzidas pelo Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), que confirmaram a identidade da espécie e sua parentesco com exemplares encontrados na Argentina e na Bolívia.
A Oplonia doceana é encontrada exclusivamente nos campos rupestres da Serra do Padre Ângelo, abrangendo os municípios de Conselheiro Pena, Alvarenga e Santa Rita do Itueto. Segundo Paulo Gonella, autor principal do estudo publicado na revista Plant Systematics and Evolution, a planta foi avistada de forma acidental durante uma expedição voltada à busca de Drosera magnifica.
A presença desta linhagem no Brasil levanta hipóteses sobre a conectividade histórica do continente. Especialistas acreditam que, durante períodos glaciais, o clima favoreceu a migração de espécies entre os Andes e o leste do Brasil. Posteriormente, as mudanças climáticas e a expansão da Mata Atlântica teriam isolado a Oplonia doceana em micro-habitats específicos.
Apesar da relevância científica, a conservação da espécie gera preocupação. A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) classificou a planta como Em Perigo de Extinção. Ameaças como incêndios florestais e a proliferação de espécies invasoras, como o capim-gordura, colocam em risco as populações naturais, limitadas a áreas muito restritas.
Além do valor biológico, o batismo da espécie homenageia a bacia do Rio Doce. Para os pesquisadores, a descoberta reforça a urgência de proteger os campos rupestres, ecossistemas que, embora biodiversos e singulares, permanecem em grande parte desconhecidos pela ciência.
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